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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Longa vida ao Zeca

Camaradas,

O sábio Zeca Pagodinho comemorará no próximo dia 4 seu cinquentenário. É a marca da longevidade de uma vida dedicada à introspecção e auto-conhecimento. Parabéns!

Zeca está nesse momento se recuperando de um resfriado. Que sua saúde continue sempre forte! Que sua sabedoria continue inspirando gerações!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Reflexões teológicas – Parte III

Camaradas,

O tempo é o melhor amigo do sábio. Com o tempo, o sábio pode aumentar sua sabedoria. Seja com reflexão, seja com vivências, seja por uma iluminação divina. Normalmente, uma combinação complexa entre essas e outras fontes de sabedoria. Pois bem, compartilho com vocês algumas novidades sábias.



Durante as festas de final de ano fui agraciado com duas importantes lições. Bêbado, me expus a uma grande quantidade de situações perigosas, como piscinas, trampolins, balanços e galhos de árvores. Meus objetos pessoais também foram colocados sob perigo. Felizmente, não tive nenhum arranhão. Nenhum celular molhado. Nenhum óculos quebrado. Deus efetivamente protege os bêbados, desde que a Ele seja oferecido um trago. Baco é foda. Essa foi minha primeira lição.



Mais sóbrio, dias depois, decidi fazer uma boa ação para pagar meus pecados de 2008. Ao passear por uma bucólica estradinha, vi uma ovelha – a criatura favorita de Deus depois das Baratas – béééérrando tristemente pois além de presa por uma corda, estupidamente deu contínuas voltas numa árvore se auto-amarrando e se privando de qualquer possibilidade de movimento. Inspirado pelo Pastor, aquele que dedica sua vida aos outros, desprovido de auto-interesse, totalmente altruísta, percebi que ali estava minha grande oportunidade de redenção.

Animais belos e peludos como são as ovelhas precisam ser conduzidos para a terra prometida. Atividade divina na Terra, o pastoreio sempre me fascinou. Feliz e satisfeito por ter uma brecha na vida pecadora, tomei a pobre ovelha pelo laço e dei várias voltas na árvore, como se fosse uma brincadeira de roda, ou uma dança circular celta, de forma a soltar os nós que o inteligente animal tinha produzido.



Grata pela minha bondade, ao ver-se livre a criatura de Deus não hesitou em sair rapidamente a correr. E como correm as bichinhas! Com isso, ela esticou a corda até que esta raspasse por toda minha perna, mutilando meus membros e me deixando severamente avariado. O sangue correu por minha pele e ao regar o solo percebi que paguei por meus desvios de conduta.

Eis que ficou clara minha segunda lição: jamais ajudar autruistamente qualquer ser estúpido que esteja em apuros. A bondade é punida por Deus com mutilação. Veja, por exemplo, o caso de seu próprio filho. Devemos, pois, nos manter devidamente ébrios.

Tendo dito, até!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

L’acqua fa male, il vino fa cantare!

Camaradas,

Sabemos todos que água faz mal. Contém uma quantidade desagradável de micróbios, bactérias e outros bichos estanhos e invisíveis. A boa saúde recomenda a esterilização. A sabedoria recomenda o vinho, afinal a verdade mora no vinho.

Hohoho, feliz natal. A família Josemberg, apesar de suas origens hebraicas, tem também tem um pezinho na Sicília. Digamos que nesses tempos natalinos poderíamos ser chamados de Josemberbergone, é uma grande festa. Aprende-se muito nessas ocasiões e eu gostaria de repartir com todos os leitores um pouco da sabedoria tradicional desse evento.

Com as mudanças climáticas por causa do aquecimento global, o calor e as brisas frescas se misturam trazendo resfriados, tosses e coceiras na garganta. Senhora minha avozinha sempre me ensinou (ah, a sabedoria dos anciãos) que para curar dor de garganta o melhor é um gargarejo com uísque. E como uísque bom não se deve jogar fora, ensinou a sábia velhinha que deve-se aproveitar que o uísque está na boca e butalo via. Correto.

Deus protege as crianças e os bêbados. Graças a Ele, e sua preferência por essas categorias, estou aqui escrevendo para vocês. Deixo na seqüência algumas fotos da festa de natal.

Tendo dito, até!


Zio Roberto, coçando os bigodes.


Eu, Zara Borborena, e meu irmão (que já está ficando careca).


Famiglia Josembergone


Zio Roberto, depois de comer umas laranjas, quis descansar no carro.


Papai Noel presenteou Albertino, o queridinho da vovó, com um peixe...


... inspirado, Albertino arranca as roupas rapidamente para pular na piscina.


Zio Roberto me ensinou: "sabe meu filho, não há nada que o azeite não consiga melhorar".


Esse Zio! Um brincalhão!



As crianças fizeram uma brincadeira de mal gosto com Zio Alfredo...

... fizeram ele dormir junto com o cavalo-de-estimação...

... ele ficou bem chateado!


Eu ensinando a prima Catarina a dirigir


Eu e Zara conversando


Zara, comigo ao fundo, acompanhado pelos camaradas

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Sábios Ébrios

Camaradas,
Hoje eu estendo a sabedoria de sábios de outras paragens a todos nossos leitores. Deixo-os com suas próprias palavras:












O Ébrio (Vicente Celestino)

(veja excelente cena com essa canção em http://milvinil.multiply.com/video/item/29)

Tornei-me um ébrio e na bebida busco esquecer
Aquela ingrata que eu amava e que me abandonou
Apedrejado pelas ruas vivo a sofrer
Não tenho lar e nem parentes, tudo terminou
Só nas tabernas é que encontro meu abrigo
Cada colega de infortúnio é um grande amigo
Que embora tenham como eu seus sofrimentos
Me aconselham e aliviam os meus tormentos
Já fui feliz e recebido com nobreza até
Nadava em ouro e tinha alcova de cetim
E a cada passo um grande amigo que depunha fé
E nos parentes... confiava, sim!
E hoje ao ver-me na miséria tudo vejo então
O falso lar que amava e que a chorar deixei
Cada parente, cada amigo, era um ladrão
Me abandonaram e roubaram o que amei
Falsos amigos, eu vos peço, imploro a chorar
Quando eu morrer, à minha campa nenhuma inscrição
Deixai que os vermes pouco a pouco venham terminar
Este ébrio triste e este triste coração
Quero somente que na campa em que eu repousar
Os ébrios loucos como eu venham depositar
Os seus segredos ao meu derradeiro abrigo
E suas lágrimas de dor ao peito amigo

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Hoje na Folha saiu entrevista de Laura Mattos com outro ébrio: (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2202200818.htm)

FOLHA - Como será seu novo disco?
ZECA PAGODINHO - Ué, de samba.

FOLHA - Isso eu já imaginava...
PAGODINHO -
É o que faço sempre, com Zé Roberto, Arlindo, Almir Guineto, Monarco...

FOLHA - Você compôs algo?
PAGODINHO -
Deixo com a rapaziada, porque é uma caderneta de poupancinha pra eles. Tem um pessoal que tá lá atrás, precisando arrumar um qualquer.

FOLHA - Você fez 49 anos agora. Com se sente quase cinqüentão?
PAGODINHO -
Tem muita gente que eu conheci que não conseguiu chegar nem a 30 porque ficou doente, mataram, sumiu.

FOLHA - O que acha do Zé da Feira [Eri Johnson], o sambista de "Duas Caras" inspirado em você?
PAGODINHO
-
As dificuldades de subir na carreira têm a ver comigo. É um cara que lutou, teve dificuldades, o vício da bebida, conheci várias pessoas assim.

FOLHA - O fato de ele ser alcoólatra não incomoda?
PAGODINHO -
Mas eu não sou alcoólatra, não ando caído de bobeira na rua. Ele é inspirado, porra, não é o Zeca Pagodinho.

FOLHA - A cerveja não atrapalha a sua vida em nenhum momento?
PAGODINHO -
Minha vida é que atrapalha a minha cerveja. Quando tô bebendo, tem sempre alguém pra falar comigo.

FOLHA - Você se irrita por sempre ser procurado para falar de cerveja?
PAGODINHO -
Não, isso é porque tô no auge. Se tivesse lá embaixo, ninguém lembrava de mim.

FOLHA - O que pensa sobre o projeto de tornar crime dirigir após tomar mais de duas latas de cerveja?
PAGODINHO -
É certo. Fizemos o bloco da Cachaça; a letra do samba dizia que "volante com cachaça não combina, sou um cachaça, mas não sou burro". Fiz um outdoor "Se beber, vá de táxi". Já tão achando que levei uma nota dos táxis, do Detran, não levei porra nenhuma, levei sim uma luta pela vida.

FOLHA - Você dirige após beber?
PAGODINHO -
Não, nem antes.

FOLHA - Você não dirige?
PAGODINHO -
É porque tô renovando minha carteira, nunca dá, e pra não ficar me aporrinhando vou andando a pé, tem motorista, entro em qualquer carro, "me deixa ali cumpade".

FOLHA - Continua irritado com o ministro da Saúde [que propôs que artistas não anunciassem bebida]?
PAGODINHO -
Não, não é um cara de bobeira não, sabe o que faz. Mas tem que ter um projeto mais de educação do que punição. Aí vai prender, e qualquer dia essa porra vai virar só grade.

FOLHA - E a reclamação dos gays que não gostaram da tradução de "happy hour" para "hora alegre" em seu comercial da Brahma?
PAGODINHO -
Falei pros caras que ia dar problema, mas eles mandam. Não tinha a intenção de ofender. Eu me dou bem com todo mundo, tem uma porrada de veado que vem aqui em casa, cada um na sua, eles pra lá, eu pra cá. Quem quer dar dá, quem quer comer come, cada um viva a sua vida.