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domingo, 21 de junho de 2009

O filé de brontossauro

Camaradas,

O primeiro dia de inverno mostrou-se invariavelmente quente e aprazível na cidade do Rio de Janeiro. Na verdade, são os melhores dias por aqui: pouca chuva, pouca umidade, pouco calor, muito sol. Sábios eram os da corte imperial que passavam de maio a setembro por aqui e o resto do ano lá na serra petropolitana, onde o clima aceita humanos.

Mesmo fora do verão, a vida boêmia jamais perderá seu vigor! Enquanto existirem os otários, existirão os malandros! Enquanto existir o Estado, existirá o funcionário. Enquanto existir o INSS existirá o aposentado. E se tudo continuar assim, existiremos nós: os que gostam de viver.


Fred e sua família, pedindo um filé para viagem!


Há coisas deliciosas guardadas, escondidas nos bairros “que não figuram no mapa” do Rio de Janeiro. Viva o Cachambi. Trata-se de um bairro suburbano, agradável como muitos outros, que acabou ficando distante do centro dinâmico da balneário decadente, cemitério de fortunas. O Rio é um pouco autodestrutivo, percebo.

Na companhia adorável de outros dois sábios, Isaac e Lilith, aventurei-me pelo tempo perdido e conheci o delicioso filé de brontossauro. Uma iguaria que Fred Flinstone deixou como legado para toda a humanidade. Mas a aventura gastronômica foi bastante complexa, então vamos por partes, como diria Jack, o estripador.


Sabor! Muito sabor!


A começar pelo chope. Gelado. Com um belo colarinho. Ao estilo dos melhores servidos lá na capital. Há quem diga que depois do túnel Rebouças já começa a área de influência paulista. Talvez isso seja verdade. O chope era delicioso.

Bolinhos, ah os bolinhos! Na falta dos sugeridos de carne seca, experimentamos os de bacalhau. Nas palavras de Issac “só perdem para os de senhora minha avó”, grande dama da gastronomia portuguesa – vale registrar.


Sim, é isso aí!


Já que estávamos por lá, provamos também os bolinhos de feijoada. Uma inovação feita à base de massa de feijão (não como aquela do acarajé, uma triturada com a casca, preta), e recheada de couve mineira, carnes e outras coisas dessas que vêm numa feijoada. Talvez o melhor bolinho que já comi nessas paragens.

Não suficientemente contentes, provamos também o incrível pastel de camarão. Saboroso, temperado. Camarões grandes. Uma coisa fora dos padrões sulistas acostumados com o básico (e até outrora feliz) pastel do Belmonte. O Cachambi nos apresentou um mundo todo novo. Uma felicidade gastronômica impensável.


O gourmet que seleciona os ingredientes


Enfim, chegamos no motivo da visita: o filé de brontossauro. Uma coisa deliciosa preparada por Seu Pança, um simpático rapaz que fez questão de nos apresentar todos os ingredientes e a técnica de preparação do acepipe. Um tratamento que, de cá do túnel, jamais foi vivenciado. O Cachambi é realmente um lugar da felicidade.

Sabor. Muito sabor. O filé de brontossauro, tecnicamente falando, é o conjunto de carnes e gorduras que envolvem um grande osso. Provavelmente oriundo da costela do extinto animal. É difícil descrever em palavras. Mas a sensação é algo orgástica. Algo transcendental.



Nós, distintos sulistas quase turistas, nos deleitamos com tanta felicidade material. Mais que isso, percebemos no cardápio ainda algumas opções por serem testadas: a palmeira recheada de camarões (algo como um palmito de um metro e meio, aberto com muito recheio); os tais bolinhos de carne seca e, por fim e não por menos; o “enfarto completo”, conjunto de churrascos cujo nome fala por si.

Nossos horizontes foram alargados. O Rio jamais será o mesmo.

Voltaremos!

Tendo dito, até!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Sobre Chopp



Camaradas,

Sempre defendi que o chopp paulista e o carioca deveriam receber nomes diferentes pois são bebidas diferentes, apesar de ambas muito gostosas.

Eis que o nosso bom Estado brasileiro está tentando agora regular o chopp. Uma decisão de um juiz catarinense (não consigo me recordar do chopp de SC, apesar de lembrar que ele fica muito bom combinado com camarões, na lagoa da conceição) afirma que o o colarinho faz sim parte do chopp e, portanto, podemos concluir que essa forma - paulista - é a considerada oficial.

leia a noticia aqui

Muita experiência com chopp, e com intervenção estatal, me permite afirmar que a liberdade é fundamental e geradora de prazer. Deixe todos serem felizes e tomarem o chopp que quiserem. Live and let die!

Tendo dito, até!

domingo, 13 de janeiro de 2008

Carnaval no Bracarense

Camaradas,

Agora que sou um Sábio pleno, livre de dúvidas e indagações – todas sanadas no memorável dia 11 -, aproveito apenas as sensações da existência. Por isso, falarei dos prazeres da vida. Começando hoje pelo Bracarense.

Ah, o bom e velho Braca! Templo da alegria! Lá oramos e fazemos nossas devoções e oferendas a Baco. Deliciados pelos quitutes de dona Ju, incluindo o clássico bolinho de bacalhau e o imperdível bobozinho de camarão, os boêmios lá são felizes. O Braca é lindo porque é o único bar realmente boêmio freqüentado por belas moças de biquíni.

Meu novo objetivo maior de vida é ser chamado pelo nome pelos garçons do Braca. Até o último carnaval era participar do bloco que por lá aparece.

Explico. Nas minhas muitas andanças pelo Braca percebi um simpático velhinho que por lá estava todos os dias. Levava seu próprio banquinho de plástico, para não arriscar ficar de pé e pulava de mesa em mesa, com um copo de uísque. A cada mesa, uma nova dose. Em todas era bem recebido e assim também foi na minha.

Conheci Seu Osvaldo já no sexto chopp, meu, e quinto uísque, dele. Estava vestido com uma bela camiseta do “bloco da terceira idade”. O carnaval se aproximava e logo perguntei do que se tratava esse curioso bloco. “É um bloco carnavalesco como todos os outros, só que não tem bateria, não tem enredo e a gente não sai daqui. A gente senta e bebe”. Fantástico. O melhor bloco de todos. O bloco do Braca! Imediatamente perguntei se eu poderia adquirir uma camiseta daquelas e participar do bloco, mesmo tendo saído da primeira idade apenas há pouco. “Claro, meu filho, terceira idade é um estado de espírito!”.

Tendo dito, até!