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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Calor, muito calor

Camaradas,

As delícias da primavera, seu frescor e sua paixão são memórias. Algumas mais vagas e distantes que outras. O frescor é muito vago...


Está tão calor que até os copos de chope derretem.

A paixão é uma saudade...


(eu adoro esses dois aí. e essa música é impressionante: como o cara conseguiu colocar tantas sílabas em tão poucos tempos?)

tendo dito, até!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Fora do Eixo - 2

Camaradas,

Há coisas que me deixam fora do eixo. Muitas coisas.

O Rio me deixa um pouco fora do eixo...

E o feriado se anuncia...



E amanhã é sábado!

Macho e fêmea os criou
Genesis, 1, 27

I

Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na cruz para nos salvar.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.

Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.

II

Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado

Hoje há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado

Há um rico que se mata
Porque hoje é sábado

Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado

Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado

Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado

Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado

Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado

Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado

Há um grande espírito-de-porco
Porque hoje é sábado

Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado

Há criançinhas que não comem
Porque hoje é sábado

Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado

Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado

Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado

Há uma tensão inusitada
Porque hoje é sábado

Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado

Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado

Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado

Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado

Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado

Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado

Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado

Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado

Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado

Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado

Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado

Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado

Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado

De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado

Há uma comemoração fantástica
Porque hoje é sábado

Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado

E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado

Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado

III

Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens, o Sexto Dia da Criação.
De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas
E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra;
E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra
Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.

Na verdade, o homem não era necessário.

Nem tu, mulher, ser vegetal, dona do abismo, que queres como as plantas, imovelmente e nunca saciada
Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.
Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias.

Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa
Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos.

Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas em queda invisível na terra.

Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes
Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia.

Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo
Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda e missa de sétimo dia.

Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das águas em núpcias.

A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio
A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em cópula.

Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos;
Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas
Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade.

Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo...

E para não ficar com as vastas mãos abanando
Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança
Possivelmente, isto é, muito provavelmente,

Porque era sábado.


tendo dito, até!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Cerejas

Camaradas,

Depois de um monte de coisas difíceis, a primavera está - ao seu jeito - sorrindo pra mim. Estou surpreendentemente de bom humor. Apesar disso, lembrei o motivo pelo qual eu não gosto de cerejas.



Tendo dito, até

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A primavera, de novo

Camaradas,

Os leitores mais assíduos sabem que eu sou um grande entusiasta da primavera, a estação das flores, dos amores, das paixões e da vida. As cores são mais fortes, as sensações mais intensas e os odores mais marcantes. O homem, ser emotivo que é (devemos lembrar que a lombada é a prova da irracionalidade humana – outro dia discorro sobre isso), atinge a plenitude na primavera. Como todas as outras criaturas de Deus, se Ele assim quis.

Bem, deve ter quisto. A primavera é linda. As flores, as frutas, as cores...

Ah, doce primavera!


As orquídeas são as criaturas vegetais mais eróticas que a imaginação divina - e do acaso - já inventaram. Algumas com a sábia, criativa e tarada ajuda da engenharia genética.


Visitei a casa da vovó e lá vi um conjunto de orquídeas bastante exuberantes, carnudas e... lindas!


essa é uma das poucas orquídeas "masculinas" que vi na minha sábia vida...


... e essa também. Apesar de que, de perto, são pequenas florezinhas delicadas.


No centro do Rio, o último suspiro do inverno foi o florido ipê, anunciando a primavera.

Tendo dito, até!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A Mulher na Janela



Por que a mulher na janela?
Na janela, ela está sendo mulher.

Quem ela espera?
Será que é a volta do amado, ou a aparição do príncipe salvador?
Que sonhos ela guarda?
De quem se protege?
Quais esperanças ainda tem? E quantas outras já perdeu?
Por que olha tão distante? Ou então tão acanhada?
Por que na janela?

Uma mulher na janela é sempre uma mulher.
Um tanto melancólica, um tanto triste.
Um tanto sensual. Um tanto ideal.

Na janela, está sendo mulher.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Aniversário de Zara



Camaradas,

Zara é uma musa. Em outra encarnação ela inspirou Klimt. Em outra anterior inspirou os românticos do mal do século. Antes ainda, seus cabelos vermelhos a colocaram na fogueira. Agora ela simplesmente me inspira.



Descobri hoje que existe um filme sobre a vida de Klimt. Nunca vi. Mas achei essa cena interessante.





Longa vida a Zara!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Perfume de Mulher

Camaradas,

A paixão é o que move os homens. E os grandes homens, os mais apaixonados, inspiram todos os outros que querem uma vida de virtude.

Fiquei muito sensibilizado com os comentários ao post sobre “tango ”, de ontem. Ao que parece, o sensual embaraço dos corpos dançantes emociona a todos.

Além disso, percebi que nossos leitores gostam muito do filme “Perfume de Mulher”. Sim, é um grande filme. É todo um conjunto de lições para jovens garotos que sonham com um futuro brilhante, como homens e como amantes.

Eis o trailer. Sempre achei que os americanos sabem fazer melhores trailers do que filmes. É verdade. Vejam esse! O rapaz apenas queria um emprego...




Selecionei algumas cenas imperdíveis, além do tango, que postei anteriormente. A primeira, inesquecível, é a da Ferrari. Qualquer homem quer fazer isso. É másculo. A aparição da machina rossa é quase tão sensual quanto uma dança de tango. É quade uma metáfora da relação do homem com uma mulher: no começo ele aprende. Depois acelera e se diverte! E só então o homem decide "dobrar" a moça... Ficar sem a visão, o sentido mais fácil de todos, deve tornar os outros muito mais apurados.



Por fim, a cena final. O discurso é bonito, empolgado. Tem uma conclusão emotiva, como todo bom filme americano. O veredicto é seguido por uma musiquinha e salva de palmas que pode arrancar lágrimas dos mais sensíveis. É um grande final. Hoo-haaa! (Atenção para a frase “thank you! are you married?”. Coisa de galã. Ele pode.)



Mas para os sábios de maior idade, ou mais ampla vivência, deixo outros trechos cinematográficos que farão a memória voar. Profumo di Donna, de 1974. Uns quinze anos antes de Al Pacino, Vittorio Gassman havia interpretado o mesmo personagem com maestria. Numa versão mais depressiva, européia, acompanhado por Cláudia Cardinale. Coisa divina.

Vejam esse belo arranjo:



“Já vi sua mulher algum ano atrás, numa casa de prazeres chamada ‘confusão’”... e depois dá uma porrada no cara errado!

E, pra terminar, a belíssima, trágica e profunda cena final:


No Brasil o outono está chegando. Mas na Europa é a primavera que faz cantar os pássaros e desabrochar as flores... até os sábios sentem!

Tendo dito, até!

sábado, 11 de outubro de 2008

On Her Majesty Secret Service (1969)




Antes de tudo, vale o registro que considero horrendo o smoking que James Bond usa nesse filme, cheio de “plumas”. Quase uma coisa do século XVIII. É a vestimenta que inspirou a paródia de Mike Myers em Austin Powers. Ridícula. Como é também toda a combinação de cores dos cenários internos, marca dispensável do libertário fim dos anos 1960.



George Lazemby, grande homem. Grande Bond. Teve a tarefa árdua e infeliz de substituir Sean Connery. E o fez com estilo. É elegante, é mais britânico que o escocês que imortalizou o personagem, apesar de ser ele mesmo oriundo da colônia Austrália. Suas cenas de ação são ainda mais convincentes do que seu antecessor. A canalhice com as mulheres é ainda mais agressiva. O novo Bond já começa o filme dizendo algo como “isso nunca aconteceu com o outro camarada” em resposta à fuga da mocinha que o evita.

Eu sou do seleto time que gosta de Lazemby. Não diria que ele é melhor que Sean Connery, mas é um bom substituto no sentido de que todo homem envelhece, enquanto o personagem segue vivendo e precisa ser renovado. Fuma, bebe, joga o chapéu ao chegar no escritório, chega até a vesti-lo quando disfarçado. E fica realmente engraçado vestindo um quilte.



Talvez o grande motivo de insucesso de George Lazemby não seja sua atuação, mas o enredo do filme que encena. Bond se casa. Mas se casa com a mocinha mais difícil. Um tipo de patricinha revoltada. Filha de um vilão que propõe a Bond um “dote” de um milhão de libras para o casamento. Jimmy, que não faz o tipo gigolô recusa. Mas em troca de informação sobre outro vilão – o clássico Blofeld – aceita o desafio de conquistar o coração da moça. No fim, se apaixona de verdade.

Aliás, a moça antes disso já tinha arriscado uma posição “honesta”, ao retribuir a ajuda de Bond (que salvou sua vida e também pagou vinte mil francos pra ela no cassino) com uma noite de amor. Antes que seu caráter de mulher da vida ficasse confirmado, Bond acorda com os tais vinte mil francos no criado mudo. Tracy Bond, a linda Diana Riggs, faz o tipo mulher independente da era da libertação sexual. Ela bate, atira, pensa.



É interessante como grandes homens só se deixam levar por mulheres difíceis, problemáticas. Verdadeiros desafios. É quase uma regra. No caso de Jimmy, evidentemente, o personagem precisa seguir e, por isso, a moça morre. Um final trágico e belo. Único dentre todos os filmes da série (mesmo o recente Cassino Royale, no qual Bond se apaixona de verdade, a conclusão do filme não é tão emocional).

Mas gostaria de dizer um pouco mais sobre como George Lazemby lida com as mulheres, que é afinal o que mais gosto nele (descobri alguns sites interessantes com as fotos das bondgirls, cique aqui e aqui). Exemplo disso é a fungada que dá no pescoço de Miss. Moneypenny. Coisa que Connery nunca se arriscou. Ao chegar na clínica dos Alpes, ele encontra um monte de moças simpáticas e vai conhecendo uma a uma, com a mesma paquera! É simplesmente impressionante...



Registro ainda a deliciosa trilha sonora de Louis Armstrong, que embala as cenas de namorico de Jimmy e Tracy. (clique aqui para ouvir e ver a cena, precedida pela cena do casamento).

A tecnologia é interessante. Apesar de não contar com muitos brinquedinhos, Bond tem um Aston Martin é de um modelo daquele ano. Para decifrar a senha do cofre, ele usa um aparelho do tamanho de uma mala, sendo que no filme anterior bastava algo do tamanho de um celular. Felizmente a maquina serve de Xerox também, uma invenção que apenas naquele tempo estava se popularizando (clique aqui para ler a interessante história da Xerox).

Viva Bond apaixonado. Viva a primavera!

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

A Primavera é a estação das flores


Camaradas,

A vida agora é marcada pela secura de São Paulo e das manhãs pós-uisque. É uma escolha. E como todas as escolhas, marcada por incerteza e muito risco. Mas São Paulo guarda uma grande quantidade de carinhos especiais para aqueles que a amam. Hoje estou aproveitando a vida suburbana, quase bucólica, que alguns bairros permitem. Sol, árvores, pássaros. Sim, está quente. E com irrigação artificial, as plantas já anunciaram a primavera nesses dias de aquecimento global. Flores por todos os lados. Amoras! Sim, as amoras são a marca da primavera e já estão por aqui. Hoje degustei a primeira amora do ano, escura e doce. Como o amor.

Tendo dito, até.