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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Cotidiano 2

Camaradas,

Falando em surrealismo do cotidiado, registrei a prova da minha incapacidade de ler coisas. Ou talvez do meu analfabetismo. Várias vezes incorri no erro de colocar adoçante na batata frita. É simples: as marcas de pozinhos têm, em geral, três tamanhos. Um, mais esticado e maior, destinado a qguardar açucar. Os outros dois, com formatos próximos a um quadrado, menores, guardam adoçante e sal. Mas são embalagens quase do mesmo tamanho e quase das mesmas cores.



Aposto que outros tiveram experiências semelhantes, causadas pelo sarcasmo dos fabricantes de saquinhos que gostam de debochar dos pobres consumidores incautos. (ou pelo excesso de chope).

Por um mundo sem enganação! Pelo fim da exploração do homem pelo homem! Pelo fim da exploração do homem pela mulher! Pela diferenciação clara dos saquinhos de sal e adoçante!

Tendo dito, até!


(Registre-se que a punjante economia fluminense é incapaz de produzir sal. Importa-se da metrópole)

terça-feira, 9 de junho de 2009

Cariocas em São Paulo

Camaradas,

Vi hoje uma foto muito curiosa. Eu fico feliz com a integração entre as duas maiores cidades do País e aguardo ansioso a construção do Trem-Bala. Mas o choque de culturas é evidente: quando um carioca chega em São Paulo, acha que pode estacionar na calçada, como faz no Rio...



Tendo dito, até!

sábado, 6 de junho de 2009

Viradão Culturalzão

Camaradas,

O Rio tem uma grande quantidade de peculiaridades. Uma delas é a necessidade de usar aumentativos. Todos os times de futebol locais são referenciados em sua versão grandona: mengão, fluzão, vascão e fogão. Todas as iniciativas divertidas que outras cidades experimentaram, quando são introduzidas aqui também recebem tratamento aumentativo.

A “Restaurant Week”, uma semana que alguns restaurantes bacanudos preparam menus especiais a preços convidativos que acontece em diversas cidades do mundo, no Rio dura duas semanas.


Notem a beleza, antiguidade e tamanho da geladeira do tradicional Bar Brasil, na Lapa



O “comida di buteco”, competição entre quitutes dos bares tradicionais de Belo Horizonte, que em São Paulo recebeu o nome do patrocionador de “Boteco Bohemia”, em geral dura cerca de quinze dias. No Rio, dura um mês.

A última novidade é a introdução da “Virada Cultural”, celebração de um monte de atividades culturais espalhadas pela cidade durante uma noite, que faz um sucesso tremendo em São Paulo e no interior daquele estado. No Rio, a virada na verdade são duas. Começa na sexta e termina no domingo.

Nunca é demais lembrar que o carnaval por aqui dura umas cinqüenta semanas por ano...

Tendo dito, até!

Por sugestão do amigo leitor, aí vai o detalhe da geladeira, e seu motor adaptado (no começo, usava-se barras de gelo)

sexta-feira, 6 de março de 2009

Ode à Felicidade



Camaradas,

É com grande satisfação que repasso a notícia que vi no Globo, jornalzinho local do balneário decadente: Chico e Alaíde estão de volta, com chope e bobozinhos (além de outros quitutes).

Estou tão feliz que não tenho palavras. Infelizmente vou demorar uns dias pra conferir pessoalmente, mas fica aqui a direção: “Chico e Alaíde”, Av.a Bartolomeu Mitre com a Rua Dias Ferreira. Tel 21 2512-0028.

Tendo dito, até!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A primeira noite de um homem



Camaradas,

Há poucas coisas tão emocionantes como a primeira noite. É um teste. É como um ritual de iniciação a uma nova vida. A primeira noite em um novo lar é especialmente importante. É o teste final para a aprovação (ou não) de um longo processo de escolhas, que inicia-se no mercado imobiliário e segue pelas lojas de móveis e colchões.

Finalmente instalado (mais uma vez e, quem sabe, de maneira algo definitiva) na cidade maravilhosa, passei minha primeira noite no novo lar. Água quente ainda é uma novidade. Não se pode confiar nos serviços públicos cariocas. Ar condicionado, por outro lado, é um desejo futuro ainda distante. Por isso, sou obrigado a dormir com as janelas escancaradas. Tem seu lado voyer, admito.

Mas tem também seus encantos. Ontem, a lua minguante me acompanhou, desde seu nascer até sumir no horizonte da janela. Um sinal, um aceno de carinho, de uma cidade linda por natureza (e talvez só por ela) a um migrante insistente.

A felicidade é como a gota de orvalho, hoje logo cedo o sol já a evaporou. Queimando meus pés às 6h20 da manhã. Namorar é sempre um pouco difícil.

Tendo dito, até!


(pra dar um gostinho...)

domingo, 20 de janeiro de 2008

Cadê o rio?

Camaradas,

Hoje é dia de São Sebastião, santo padroeiro da cidade maravilhosa. Esse santo homem era soldado romano e, ao que tudo indica, dava um jeitinho para ajudar os amigos cristãos a se livrarem da perseguição do império. Naquela época a impunidade ainda não reinava e, pobre santo, foi condenado à morte por flechadas. Até hoje é representado com umas flechas fincadas pelo corpo (aí ao lado, na versão de Boticelli).

São Sebastião é padroeiro do Rio por ser um dos primeiros malandros que se tem registro. Dizem à voz pequena que ele fazia vista grossa para cristãos que fugiam, mas para que eles sorrissem, precisavam fazer o homem sorrir também.

O Rio é a terra onde a existência é dialética: ou você é malandro ou é otário. E essa definição é dinâmica, a cada hora é possível ser um ou outro, a disputa é constante. Outro dia mesmo, sentado num bar numa mesa numerosa o garçom chamou minha atenção para que eu ficasse de olho nele, porque ele poderia marcar mais chopps do que os de fato servidos! Ora, que garçom simpático: ao perceber meu evidente sotaque paulista, esclareceu as regras do jogo estabelecendo que para que ele não fosse malandro, eu precisaria me esforçar para não ser otário.

Mas o tema do post de hoje é outro. Um amigo gringo, mais gringo que eu, ao olhar o mapa do Rio perguntou: “mas afinal, cadê o rio?”. É evidente que se a cidade chama-se Rio de Janeiro, é necessário que lá existisse um rio.

Confesso que do alto da minha sabedoria eu não soube responder no momento àquela dúvida existencial. Mas fui pesquisar. Descobri que a malandragem carioca vem de tempos remotos. Estácio de Sá foi o primeiro malandro carioca. Querendo se livrar dos índios e dos franceses, fundou a cidade do Rio de Janeiro com o lema "Recte Rem Publicam Gerere" (Gerir a Coisa Pública com Retidão, sic). Chegando à baía de Guanabara em fevereiro de 1565, achou que o nome para a nova cidade “Baía de Fevereiro” não tinha o apelo turístico necessário. Fingiu-se desinformado e declarou que chegara em janeiro e que aquilo era na verdade um riozão. Ficou “Rio de Janeiro”.

Tendo dito, até!