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terça-feira, 23 de setembro de 2008

From Russia with Love (1963)

Camaradas,
Uísque, uma boa cigarrilha Romeu e Julieta e um pouco de pistache. Harmonizou bem com esse excelente segundo filme da série. O enredo é uma certa palhaçada: a SPECTRE, pra vingar a morte do Dr. No, coloca uma russa deliciosa de isca para pegar James Bond. O pretexto para aceitar a missão é roubar uma máquina decodificadora soviética, aproveitando que Jimmy “não está ocupado no momento”.

(Abaixo, a foto que 007 recebe de isca, fica difícil recusar uma visita à Turquia, por mais que pareça trote. E naquele tempo nem dava pra entrar no Orkut e conferir as comunidades da pretendente).



O mais legal do filme é que não há nenhuma cena na Rússia. Quase tudo se passa na Turquia, a antiga fronteira tensa entre o mundo socialista e o capitalista. Praticamente a Cuba européia. O vilão, felizmente, não é soviético, mas a organização criminosa Spectre. Tem lá uns russos (o jogador de xadrez é a cara do Putin) e também uns alemães, incluindo o vilão casca-dura que luta com Bond no trem. Aliás, Bond só percebe que ele é um vilão depois que decide misturar vinho tinto com carne branca. Um erro imperdoável nos anos 1960, mas uma mistura que poderia ser feita com tranqüilidade nos dias de hoje.


Um monte de turcos morrem só pra que 007 consiga fisgar a isca, a bela Tatiana Romanova (interpretada pela miss Itália 1962, Daniela Bianchi). É uma tristeza o tamanho de seu egoísmo. Mas é uma alegria o sorriso da moça.

Mais divertida é a cena com os ciganos, com duas mulheres brigando pra ver qual casará com o filho do chefe. Na briga, só faltou o gel ou a lama. É bem divertida mesmo. No final, Bond salva a vida do chefe cigano e passa a ser considerado “seu filho”. Por isso, pede que as moças parem de brigar. Para resolver o conflito, então, ele se tranca numa barraca com as duas, para uma avaliação de desempenho. No total do filme, Sean Connery se dá bem com quatro belas moças, incluindo um "assunto do passado" que ele resolve logo no começo do filme, depois de atender a um celular primitivo.

Pra fechar, a foto do encontro entre James e Tatiana, apropriadamente vestidos e com os devidos instrumentos para garantir um sexo seguro.
Tendo dito, até!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Começando pelo começo: Dr. No (1962)



Camaradas,


Falemos de – que nome! – Honey Rider. O que é aquilo? Meus senhores, o início dos anos 1960 eram muito sensuais. Ursula Andress saindo do mar, com o corpo coberto apenas por um biquíni branco é uma cena antológica. Algum dia ainda escrevei aqui sobre as mulheres de um tempo antes das plásticas e do photoshop, quando elas eram diferentes e cada uma tinha seus próprios encantos, mas isso deixo pra depois.
Pois bem, nesses tempos felizes, James podia dar-se o luxo de conhecer três diferentes mulheres no mesmo filme, e as conquistava com uma canalhice explícita que os chatos anos 80 e 90 fizeram questão de enterrar. Ah, ele usa chapéu. E fuma! Além de conseguir tudo que a gente quer, ele pode fazer tudo que hoje é proibido!
James é aqui interpretado pelo maior de todos – quase dois metros de altura – Sean Connery. Ele mudou uma geração. Os japoneses começaram a fazer implante de pêlos no peito para se parecerem mais másculos! Quem diria que hoje em dia 007 é totalmente raspado...
Connery, entre todos os atores que assumiram a responsabilidade de dar vida ao sonho masculino, é o mais canalha. Representa um tempo que os homens ainda tinham o poder, antes da pílula anticoncepcional e da aids. Um Bogart não deprimido, ágil e alto. Eu adoro ter nostalgia de um tempo que não vivi.
Falemos daquela época. Em tempos de crise dos mísseis e corrida espacial, o inimigo é um doido, da SPECTRE, que usa rochas radioativas para montar seus foguetes particulares e ferrar com o programa espacial dos EUA.

Vale lembrar que nesse tempo os americanos estavam desesperados porque o livre mercado não estava sendo tão eficiente quanto o dirigismo soviético para lançar satélites e colocar cães, macacos e até humanos no espaço. Os gringos tiveram que criar uma agência estatal para resolver a questão, já que a Pan Am (saudosa) não estava dando conta do recado. Resultado: depois de perder todas as etapas da corrida, conseguiram colocar um americano pisando na lua antes dos comunistas comedores-de-criancinha, levado por uma lata de sardinhas cujo computador era mais fraco que uma HP 12c.
Bem, por causa desse filme eu experimentei meu primeiro vodka-martini, batido não mexido. Duas bebidas que eu detesto, mas que juntas têm o sabor canastrão de um tempo mais fácil de se entender.

Tendo dito, até!