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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Mais nova lição carioca

Camaradas,

O Rio de Janeiro é uma cidade cheia de encantos e cheia de pequenas curiosidades. Também, é cheia de grandes peculiaridades que remontam suas origens da colônia portuguesa.

Muito me espantei ao visitar o apartamento de um amigo, que habita o número 208 de determinado edifício. Fui alertado pelo porteiro que deveria pressionar o botão “4” para chegar ao andar correspondente ao apartamento que visitaria. Uma lógica um tanto estranha. De onde eu venho, os números dos apartamentos se referem, de alguma maneira, ao andar onde estão localizados. 208, portanto, deveria ser no segundo andar. Ou talvez no vigésimo. Eventualmente, talvez até no oitavo. Mas nunca imaginaria no quarto.

Passado meu espanto inicial, vi a seguinte placa, que atiçou ainda mais minha curiosidade.

(melhor que essa placa, só aquela “antes de entrar no elevador, certifique-se que o mesmo encontra-se parado no andar”)

Achei muito inteligente: o zero (sim, os cariocas conhecem essa inovação! Ponto pra eles! Os babilônios – a última civilização humana nos trópicos - não conheciam...), refere-se ao andar no nível da rua. Seqüencialmente, seguindo os números inteiros, cada andar tem como referência um número maior quando está em cima. De tal forma que o andar “5” fica exatamente um acima do “4”. Espantoso.

Ora, é louvável estabelecer que todos os andares sejam numerados seqüencialmente e sem letras! Sempre me confundi com a inexistência do 13º andar em vários edifícios novaiorquinos, e odeio – de verdade – aqueles andares “L”, “S”, “M”, “SL” ou “LO”, ou qualquer outra combinação que tente se referir ao nome do andar e impede que eu entenda afinal qual fica em cima e qual fica em baixo. E principalmente, qual é a saída.

Mas a numeração dos apartamentos, por algum motivo transcendental, não corresponde de maneira alguma ao andar onde estão localizados. Há uma fórmula matemática para definir o número do apartamento em relação ao andar: seja X o andar, e Y o primeiro algarismo do número do apartamento, a relação entre X e Y é: X = Y+2, para todo X >3 Os cariocas devem ser grandes matemáticos.

Para minha feliz surpresa, ao descer no quarto andar, estava de frente à porta 208. Ufa. Não entendi, mas deu certo. É por isso que a principal lição carioca é: nunca confie na lógica, nas regras ou nas placas. Pergunte aos locais.

Na próxima visita, perguntarei ao porteiro se no 3º pavimento encontra-se a Pontifícia Universidade Católica...

Tendo dito, até!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Luz no fim do túnel

Camaradas,

Vi no jornalzinho local uma notícia muito animadora: Dona Alaíde vai abrir um bar com o velho Chico. Será o novo templo. Revigorei meu credo.

tendo dito, até!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Reflexões teológicas – Parte III

Camaradas,

O tempo é o melhor amigo do sábio. Com o tempo, o sábio pode aumentar sua sabedoria. Seja com reflexão, seja com vivências, seja por uma iluminação divina. Normalmente, uma combinação complexa entre essas e outras fontes de sabedoria. Pois bem, compartilho com vocês algumas novidades sábias.



Durante as festas de final de ano fui agraciado com duas importantes lições. Bêbado, me expus a uma grande quantidade de situações perigosas, como piscinas, trampolins, balanços e galhos de árvores. Meus objetos pessoais também foram colocados sob perigo. Felizmente, não tive nenhum arranhão. Nenhum celular molhado. Nenhum óculos quebrado. Deus efetivamente protege os bêbados, desde que a Ele seja oferecido um trago. Baco é foda. Essa foi minha primeira lição.



Mais sóbrio, dias depois, decidi fazer uma boa ação para pagar meus pecados de 2008. Ao passear por uma bucólica estradinha, vi uma ovelha – a criatura favorita de Deus depois das Baratas – béééérrando tristemente pois além de presa por uma corda, estupidamente deu contínuas voltas numa árvore se auto-amarrando e se privando de qualquer possibilidade de movimento. Inspirado pelo Pastor, aquele que dedica sua vida aos outros, desprovido de auto-interesse, totalmente altruísta, percebi que ali estava minha grande oportunidade de redenção.

Animais belos e peludos como são as ovelhas precisam ser conduzidos para a terra prometida. Atividade divina na Terra, o pastoreio sempre me fascinou. Feliz e satisfeito por ter uma brecha na vida pecadora, tomei a pobre ovelha pelo laço e dei várias voltas na árvore, como se fosse uma brincadeira de roda, ou uma dança circular celta, de forma a soltar os nós que o inteligente animal tinha produzido.



Grata pela minha bondade, ao ver-se livre a criatura de Deus não hesitou em sair rapidamente a correr. E como correm as bichinhas! Com isso, ela esticou a corda até que esta raspasse por toda minha perna, mutilando meus membros e me deixando severamente avariado. O sangue correu por minha pele e ao regar o solo percebi que paguei por meus desvios de conduta.

Eis que ficou clara minha segunda lição: jamais ajudar autruistamente qualquer ser estúpido que esteja em apuros. A bondade é punida por Deus com mutilação. Veja, por exemplo, o caso de seu próprio filho. Devemos, pois, nos manter devidamente ébrios.

Tendo dito, até!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

L’acqua fa male, il vino fa cantare!

Camaradas,

Sabemos todos que água faz mal. Contém uma quantidade desagradável de micróbios, bactérias e outros bichos estanhos e invisíveis. A boa saúde recomenda a esterilização. A sabedoria recomenda o vinho, afinal a verdade mora no vinho.

Hohoho, feliz natal. A família Josemberg, apesar de suas origens hebraicas, tem também tem um pezinho na Sicília. Digamos que nesses tempos natalinos poderíamos ser chamados de Josemberbergone, é uma grande festa. Aprende-se muito nessas ocasiões e eu gostaria de repartir com todos os leitores um pouco da sabedoria tradicional desse evento.

Com as mudanças climáticas por causa do aquecimento global, o calor e as brisas frescas se misturam trazendo resfriados, tosses e coceiras na garganta. Senhora minha avozinha sempre me ensinou (ah, a sabedoria dos anciãos) que para curar dor de garganta o melhor é um gargarejo com uísque. E como uísque bom não se deve jogar fora, ensinou a sábia velhinha que deve-se aproveitar que o uísque está na boca e butalo via. Correto.

Deus protege as crianças e os bêbados. Graças a Ele, e sua preferência por essas categorias, estou aqui escrevendo para vocês. Deixo na seqüência algumas fotos da festa de natal.

Tendo dito, até!


Zio Roberto, coçando os bigodes.


Eu, Zara Borborena, e meu irmão (que já está ficando careca).


Famiglia Josembergone


Zio Roberto, depois de comer umas laranjas, quis descansar no carro.


Papai Noel presenteou Albertino, o queridinho da vovó, com um peixe...


... inspirado, Albertino arranca as roupas rapidamente para pular na piscina.


Zio Roberto me ensinou: "sabe meu filho, não há nada que o azeite não consiga melhorar".


Esse Zio! Um brincalhão!



As crianças fizeram uma brincadeira de mal gosto com Zio Alfredo...

... fizeram ele dormir junto com o cavalo-de-estimação...

... ele ficou bem chateado!


Eu ensinando a prima Catarina a dirigir


Eu e Zara conversando


Zara, comigo ao fundo, acompanhado pelos camaradas

segunda-feira, 24 de março de 2008

Novas lições cariocas

Camaradas,


Depois de um longo período de férias, este sábio que vos escreve retorna com um pouco mais de sabedoria. O tema de hoje é o Rio e suas pequenas curiosidades irritantes. Sou e sempre serei um entusiasta dessa cidade onde o calor engrossa o sangue e impede as funções motoras e intelectuais. É um lugar para sentar e tomar chopp, que aliás deveria receber um nome diferente por aqui para não ser confundido com aquele que se toma em São Paulo. São coisas evidentemente diferentes e incomparáveis. Dar-lhes o mesmo nome só gera confusões desnecessárias entre os povos.

Alguns pequenos detalhes passam desapercebidos pelos turistas de primeira viagem, mas para um migrante que retorna à cidade maravilhosa, tais coisas causam impacto de imediato. O primeiro deles, para quem chega pela via Dutra, é o curioso outdoor tentando vender terrenos num adorável bairro da baixada: “Ainda é bom comprar em Vilar dos Teles”, complementada por uma faixa “Para revender”. Com isso, imagino que deve ser um mico ficar com qualquer propriedade por lá...

Outras pequenas aventuras acontecem com os visitantes á vacinados, que sabem que nessa cidade toda regra é feita para ser burlada de alguma forma. Já escrevi antes nesse blog que o Rio é a cidade do malandro. E a malandragem é um conceito dialético: a existência do malandro depende da existência do otário, e vice-versa. Todas as relações humanas, portanto, incluem a tentativa mútua entre as partes em fazer o outro de otário, para conseguirem se auto-proclamarem malandros.

Muito bem, a disputa não acontece apenas entre os civis, mas também entre os cidadãos e o Estado. A todo tempo. Minha penúltima aventura foi estacionar numa tranqüila rua, sem nenhuma espécie de sinalização indicando restrição ao estacionamento. Para minha surpresa, no dia seguinte meu possante com placa paulistana estava em outra esquina, parado em fila dupla. Os feirantes levantaram-no e o trocaram de posição para que a feira pudesse acontecer sem problemas. Ao havia, curiosamente, nenhuma marca de depredação ou multa no carro. Foi uma transposição civilizada. Daí a lição número 1: pergunte aos locais se você pode largar seu carro na rua. A sinalização nunca é suficiente.

Dois dias depois, a última aventura, devida inteiramente à minha completa incapacidade de compreender lições da vida. Incorrer em erro é normal. Repetir é estupidez. O calor engrossa o sangue, e me faz bem estúpido. Numa outra esquina, também sem sinalização larguei meu carro. Hoje, passando por lá não o vi. O fenômeno da transposição se repetiu, mas dessa vez liderado por funcionários do Estado (sete-Rio, com se diz por aqui) que o levaram para algum lugar quase tão distante quanto Vilar dos Teles. Daí a lição número 2: pergunte aos locais se você pode largar seu carro na rua. A sinalização nunca é suficiente.

Se eu consegui importar de volta meu carro, prometo que aprenderei as duas lições.