
Camaradas,
Falar de grandes homens é fácil. Basta elencar uma grande quantidade de seus feitos e dizer tudo o que ele representou para o mundo, para seus amigos, familiares e para os que apenas o conheciam.
Bem, hoje (ontem) faleceu Saul Galvão. Um grande homem. Nunca o conheci. Mas lia regularmente seus textos, suas dicas, suas experiências gastronômicas. Era quase como um amigo. Um guia na vida feliz dos sabores e das sensações. Seu ar professoral vinha também de sua imagem fanfarrona com belos e espessos bigodes.
Digamos que fui tecnicamente iniciado ao vinho com seu clássico “Tintos e Brancos”. Um livro acessível para aqueles que começam a se aventurar nesse mundo, mas também profundo – e sempre atualizado – sobre as sensações que Baco nos proporciona.
Desde esse primeiro contato, sempre gostei de suas descrições sobre os vinhos: aqueles que eu conhecia, e podia comparar, e aqueles que fiquei com vontade de experimentar.
Mas não só de vinhos ele falava. Todos os prazeres gastronômicos fazem parte de seus textos. Inclusive o de cozinhar. E, para os leigos ambiciosos, suas receitas fáceis e deliciosas estarão sempre disponíveis para os momentos especiais.
Além de um grande conhecedor, Saul Galvão era um grande comunicador. Um poeta. Porque só os poetas sabem dizer com palavras o que o espírito sente com o corpo.
Saúde!
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
In Vino Veritas
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Reflexões Teológicas – Parte IV
Camaradas,
Estou inconsolável. Certa vez descrevi o Bracarense como “representação comercial do paraíso”, uma obra divina para que os pecadores terrenos pudessem sentir um pouquinho das benesses da retidão moral e, quiçá, se arrependessem e buscassem redenção. Sim, o Bracarense poderia ser entendido como uma estratégia agressiva de fidelização de clientes.
Registo de um passado perdido. O crédito da foto é de nossa sábia leitora.
O grande ativo dessa empreitada, certamente, era D. Alaíde, das mãos hábeis, que produzia quitutes deliciosos e encantadores. Verdadeiras amostras mundanas dos néctares divinos. O bobozinho e a delicinha de camarão, as especialidades, eram capazes de fazer um homem abdicar de suas certezas, uma experiência transcendental.
Acontece que Deus esqueceu de questões trabalhistas e acho que tudo ia ser feliz. Dona Adelaide saiu do Bracarense, e dizem alguns, abrirá um outro bar. Até lá estamos órfãos. O Bracarense ainda guarda seus encantos, especialmente o sanduíche de pernil. Mas os quitutes perderam sabor, vigor e principalmente amor. O bolinho de catupiri com camarão está mucho. Bobozinho e delicinha não existem mais.
É uma tragédia. Estou pagando até pelos pecados que ainda não fiz...
Tags: adeus, alcool, bracarense, Depressão, Deus, grandes lições, Ressaca, Roger Moore
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Adeus à Joaninha
Camaradas,
Hoje terminei meu mais longo relacionamento não-co-sanguíneo (como será a grafia correta dessa expressão na nova regra ortográfica?). Sinto certa tristeza por saber que não mais encontrarei a formosa dama de vermelho, com quem compartilhei minha rotina, horas longas dos meus dias. Com ela, fui conhecer lugares distantes e me aventurei por caminhos inóspitos (clique aqui para ler uma dessas histórias interessantes). 
Joaninhas se divertem sem preocupações com a vida e opinião alheia
Acabou. Como tudo na vida, uma hora acaba. Prefiro as boas lembranças à lamentação. E faço aqui todo meu carinho a ela, às marcas que deixamos um no outro e meu desejo que seja bem sucedida em sua nova vida.
Joaninha é um nome de batismo recente. Na verdade antigamente ela tinha um viés mais masculino e era conhecida como tequilamóvel, dada sua preferência clara por tequila ao invés de gasolina.
Tequilamobile: o primeiro off-road 1.0 do mundo
Era dotada de um dispositivo único e muito prático, o exclusivo botão “foda-se”. Seu acionamento libertava-a para realizar qualquer atividade, transgredir qualquer regra, moral ou bom costume. Mais que isso, tocar o “foda-se” permitia atrapalhar os outros, incomodá-los, sem ser reprimido por isso. Quase como uma imunidade parlamentar, só que sem exigir o trabalho de ser eleito.
Vá e seja feliz!
Tendo dito, até!





