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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Die Another Day (2002)



Comunistas. Lasers. Aston Martin (invisível!). Diamantes. Espadas. Tortura. Palácio no gelo. Traição. Satélite destruidor. Cuba. Madonna. Ah, que grande final para a série de filmes protagonizados por Pierce Brosnan! Eu adoro esse. É tudo excessivo.


quem manda aqui é a turma da rua de cima!



Digo mais: é um dos melhores da série. Todos os elementos, mesmo excessivos, são bastante coerentes – no universo James Bond, registre-se – e a quantidade de brinquedinhos tecnológicos é estafante. Além disso, a temática da guerra fria está de volta, graças à Coréia do Norte e seus malucos.



O vilão é um coronel norte-coreano que, numa clínica em Cuba, se metamorfoseou com tratamento genético num bonitão inglês. Ficou rico legitimando diamantes contrabandeados da áfrica através de uma mina falsa na Islândia. Com o dinheiro, construiu um satélite que condensa a luz solar e pode destruir qualquer coisa no planeta. Com isso, pretende finalmente invadir a Coréia do sul. Ufa. Plano fácil.


"eu o desafio para um duelo!"

Trata-se de um vilão interessante, bem ao estilo de Scaramanga ou talvez Sanchez, no sentido de serem playboys sofisticados e habilidosos comparando-se ao próprio Jimmy. É ajudado por alguns capangas, sendo o mais divertido o tal de Zao, que tem uma acne cara. Além disso, a sua assistente é uma agente dupla do MI6, deliciosamente gelada. Quase uma cerveja. Campeã de esgrima na olimpíada de Sidnei. Pra fechar a caracterização, a instrutora é a Madonna (!).


Diamonds are the girl's best friend

Só James é capaz de salvar o mundo de uma ameaça complexa como essa, e deixar pra morrer em outro dia. Ele conta com a ajuda da adorável Jinx, agente americana, que protagonizou uma saída do mar digna de Ursula Andress e o diálogo mais raso que James já teve com uma mulher antes de levá-la pra cama. É uma fonte de inspiração.


"magnificent view!"


E a ação? James surva, salta de para quedas, sai voando de helicóptero de dentro de um avião em chamas, dirige um hovercraft... e tem um carro invisível! Cheio de brinquedinhos!

O cinema é isso. James Bond é isso. Ação. Imaginação. Com um toque leve de referências ao mundo real...

The World is Not Enough (1999)



Camaradas,

Com tempo sobrando, retomo a empreitada há muito deixada em posição de espera para comentar este que é um dos filmes que menos gosto de toda a série. Jimmy está sério demais. Talvez essa tarefa de salvar o mundo lhe seja muito estafante.



Pra começar, não gosto dos vilões. O mais mau de todos é um terrorista apaixonado que faz as coisas por amor. Se mata por amor – e destruirá a ordem mundial por amor. Tudo para deixar sua amada mais rica e poderosa.


Você é mau. E eu sou do bem. Mas temos uma amiga em comum.


Modalidades heterodoxas de amor

A vilã é uma delícia. Muito má. Suas motivações não são muito convincentes, mas a deixam intensamente sexy. É uma patricinha que quer dominar o mundo e, como boa patricinha, joga seu charme para convencer seus namorados (Bond e o Vilão) a brigarem entre si. Uma luta de machos alfa em busca de sexo que implica também na destruição ou não do mundo. E talvez o mundo não seja o bastante.


"Oi, eu quero dominar o mundo. Me ajuda?"

Há outros elementos interessantes no filme. A presença de Valentin Zukovsky, o ex-expião fanfarrão soviético, é sempre hilária e providencial. Dessa vez ele gerencia uma empresa de caviar e um cassino. Muito justo.


Quer dar uma volta?


Destaque para a despedida de Q, que já velhinho dá as últimas lições ao nosso herói e anuncia seu substituto, o engraçado John Cleese do Monty Python. Logo depois das filmagens, Desmond Llewelyn teve um trágico acidente de carro. Saúde!

São as mulheres as responsáveis pela queda de um homem. No caso, uma graça de moça (Maria Grazia Cucinotta) se explode no balão e faz James quebrar duas ou três costelas. Então, nosso adorável sedutor tem a chance de subornar uma fisioterapeuta atenciosa, com a carne bastante aquecida, srta. Molly Warmflash, que o liberara para o serviço mesmo com dores nas costas.

A melhor personagem, por fim, é de longe a engenheira-física-nuclear-gostosa-independente-e-ao-mesmo-tempo-frágil-e-carente interpretada por Denise Richards, nossa grande musa de adolescência (ah, que garota selvagem!). É praticamente um presente de natal.


"Você me explicaria o princípio da combustão expontânea?"

Felizmente, James Bond consegue salvar o mundo, mais uma vez, e nos divertir com cenas impressionantes. As melhores são a corrida de lanchas no tamisa e a cena dentro do oleoduto. Felizmente, com esse filme acaba a década de 1990, os tempos mais caretas da humanidade.

Tendo dito, até!


que bom que o mundo não acabou!

domingo, 22 de março de 2009

Tomorrow Never Dies (1997)





Camaradas,

Retomo neste post a seqüência de comentários sobre os filmes de James Bond, que há muito estou me propondo. Os filmes da era Brosnan são muito especiais para mim, como já comentei, porque os vi pela primeira vez no cinema. Mais que isso, refletem a cultura – e a tecnologia – dos anos da minha perdida juventude.


"Parece carro de tiozão, mas tem opcionais popozudos"


Tomorrow Never Dies é o segundo filme com Pierce. Finda a guerra fria, provou-se que o mundo, a liberdade e a Rainha ainda corriam risco e, por isso, Jimmy ainda tem um lugar ao sol. A temática remete imediatamente aos filmes mais antigos, com um vilão psicopata que, mesmo já dispondo de uma gigante organização empresarial (que lhe garante recursos) inventa um plano mirabolante para desestruturar a ordem mundial. Nesse caso, é um empresário da mídia, dono de jornais, televisões e satélites, que decide criar um incidente entre a marinha britânica e chinesa que levaria a uma guerra de proporções catastróficas. Aparentemente, o vilão não quer dominar o mundo, mas apenas vender mais jornais...


"Se eu não fosse doido, não teria filme!"


Isso é um navio

As referências ao passado são várias. Em especial ao filme “You Only Live Twice”: há um vilão maluco que envolve uma crise mundial entre a velha potência e o país emergente. Nos anos sessenta era o Japão. Nos noventa é a china. (Cabe uma nota: no filme “You Only Live Twice” o vilão é na verdade uma organização chinesa, mas não há referência clara sobre isso. O interlocutor é sempre japonês).


"A gente vai se falando..."

A cena final, que no filme de Connery acontecia dentro de um vulcão-base-espacial, no novo filme acontece num navio stealth, invisível a radares. A semelhança estética é impressionante. Além disso, James se engraça com uma mocinha do país oriental nos dois filmes. Dessa vez é com uma chinesinha muito simpática do serviço secreto.


Levando o gigante vermelho na garupa, sem capacete

Outra referência aos antigos filmes é a relação de 007 com as mulheres. Além da chinesinha, James revive um caso da juventude dormindo com a esposa do vilão. E, lembrando Connery e principalmente Moore, há uma cena inicial de Jimmy “praticando línguas estrangeiras” com uma professora atraente...


No mundo globalizado é importante saber falar holandês.

Um último comentário é sobre a tecnologia. Outro dia eu li uma crônica interessante sobre como os celulares substituíram o cigarro como hábito geral: as pessoas saem dos aviões, dos escritórios e cinemas e logo ligam o telefone, já que não têm mais cigarros. A quantidade de modelos dos telefoninhos serve para dar alguma elegância que outrora foi conferida por cigarros. Com James Bond não é diferente. Em 1997 os telefones celulares dominaram o mundo e, no caso do MI6 o telefone serve também para dirigir carros. A seqüência de perseguição com um carro de controle remoto é sensacional.

"Mãe, eu também quero um carro desses!"

Tendo dito, até!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Goldeneye (1995)



Depois de seis anos ausente, 007 retornou. Uns achavam que não tinha mais sentido continuar com a série, depois da versão bruta e cult dos tempos de Dalton. Outros achavam que o fim da guerra fria e da URSS também tirariam o sentido de continuar com o personagem. Estavam todos errados. Bond precisava apenas de sangue novo. E conseguiu.


"You were expecting someone else?"


Cena memorável, Bond dirigindo um tanque nas ruas de São Petersburgo (Leningrado, nos bons tempos)

Pierce Brosnan incorporou Bond magistralmente. Reuniu características de seus antecessores e – num movimento antropofágico – criou sua própria versão, atualizada para os anos 1990. De Connery, buscou o humor. De Lazemby o sorriso. De Moore a elegância e o toque playboy. De Dalton, a violência e frieza.


"So, you are always On a Top of things?"


Reloginhos hi-tech: versão dos anos 1980 e 1990.

Foi o primeiro filme que assisti no cinema e gostaria de registrar que é, possivelmente, meu favorito. Vários elementos da trama baseiam-se nos frangalhos do fim da guerra fria, explicitamente. A traição, a vingança e os objetivos megalomaníacos dos vilões continuam presentes. As cenas de ação, os cenários pelo mundo e a tecnologia sempre surpreendente. (Nota de curiosidade: era o começo da Internet, e há muito entusiasmo com suas possibilidade. A mocinha pede um computador com modem de 14.4 kbps...).


"Hello, James!"


As mulheres... ah... faltava a Dalton certa cafajestagem. Bronsnan é um cafajeste elegante. Algo mais próximo de Moore, que tratava as moças com carinho, do que pra Connery, que as descartava como se fossem lenços usados. Nesse filme, Bond começa com uma perseguição adorável nas montanhas ao redor de Monte Carlo, acompanhado por uma doce inglesinha. Dirigindo um Aston Martin 1965 (igual do Goldfinger), 007 persegue uma Ferrari dirigida por uma russa ninfomaníaca (amiga do vilão) que mata as pessoas durante o ato de fornicação. É muito divertido. No fim, Jimmy abre um compartimento-geladeira do carro abastecido com uma boa garrafa de champanhe.


GirlPower: mulheres fora da cozinha.


"I am invinceble!", dizia o vilão congelado.

A vilã russa, Xênia Onatopp (sempre nomes curiosos) é conhecida depois, numa sauna. Mas quem se destaca mesmo é a bondgirl programadora de computadores, Natalya Simonova, que trabalha no programa espacial secreto russo. Ela faz um estilo mocinha durona e ainda com certo ar maternal (quando dá bronca em 007 e ex-006: “Stop! You look like boys with toys!”). Em outra cena, sai perguntando questões psicológicas de Jimmy, quanto a sua natureza fria e violenta.


"Você será reprovado no teste de direção, James."

As novidades também incluíram uma nova Miss Moneypenny, interpretada por Samantha Bond, e uma nova M (sim, uma mulher!), Judi Dench. Eu gosto da combinação. O bom e velho Q continuou interpretado por Llewelyn.


"Ela programa computadores, lava, passa e nas horas vagas ainda arruma a cama"


Louis Maxwell e Samatha Bond, posando na frente do Aston Martin

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Licence to Kill (1989)



James Bond é um assassino. Frio, cruel e violento. Roger Moore tinha nos feito esquecer disso, mas Timothy Dalton faz questão de lembrar a todo momento. É um homem bruto, depressivo, vingativo.


Miss Moneypenny. Lindos óculos dos anos 1980

Minha principal impressão foi a brutalidade e violência: pessoas sendo comidas por tubarões, queimando vivas, trituradas em máquinas... coisa bem agradável.


A namoradinha, da CIA, mexendo o vodka-martini

Em 1989 a guerra fria estava totalmente gelada. A queda do muro foi o sinal mais marcante. Bond, então, dedica-se a uma função pessoal. Seu senso de dever é mais forte que sua dedicação ao serviço secreto e, por vingança, vai atrás de um chefão do tráfego de drogas, perdendo a permissão para matar e se desligando do MI6.


Bond, a serviço do vilão, antes de explordir tudo. Repare no jovem Benício Del Toro, como capanga

O cara é tão malandro que acaba trabalhando para o próprio traficante e, de dentro da organização, trama para explodir tudo. E ainda dorme com a namorada do sujeito!


A namorada do vilão... acaba na cama de Bond

Mas, como prenúncio da era politicamente correta, Jimmy escolhe ficar com uma só, a assistente da CIA, Pam Bouvier.


Pablo Escobar, na versão cinematográfica


São os tempos...


difícil escolher...

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Cassino Royale (1967)

Meus caros leitores, mais uma vez faço uma quebra na seqüência das resenhas dos filmes de 007 para comentar esse belo exemplar satírico, não produzido pela família Brocolli. A história é baseada no livro de Fleming homônimo, na qual James Bond precisa vencer Lê Chiffre, um exímio jogador que está tentando fazer dinheiro no cassino para pagar umas dívidas com sua própria organização criminosa.


Sir James é convencido a voltar à ativa pelos líderes dos serviços secretos

Entretanto, a história fica bem mais complicada, iniciando com os chefes dos serviços secretos inglês, americano, soviético e francês indo à casa do já velho Bond pedir-lhe que volte para mais uma missão.


As muitas filhas de M sabem receber seus hóspedes...



David Niven é o velho Bond. Sensacional. Impagável. Ele reclama que o serviço secreto nomeia outros agentes com seu nome e número só pra assustar os adversários. E que os novos agentes tornaram seu nome um sinônimo de garanhão bruto. Perderam a elegância e a inteligência...


"Moneypenny, você não mudou nada!" - "Eu sou a filha da Sra. Moneypenny"

Para ajudá-lo, são recrutados diversos companheiros, incluindo outros 007s, um interpretado por Peter Sellers (com habilidades de jogador) e Terence Cooper, como uma versão galanteadora, porém imune ao charme feminino. Sem mencionar a presença estonteante de Deborah Kerr, como viúva de M, Ursula Andress como Versper Lynd (a agente traidora), Bárbara Bouchet, como a filha de Moneypenny, Daliah Lavi, Angela Scoular (que aparece como Ruby em On Her Majesty Secret Service) e Joanna Pettet, como Mata Bond – filha de James com a espiã Mata Hari.


Jimmy Bond explicando que seu médico não recomenda que lhe perfurem as víceras.

Do lado inimigo, um outro grande elenco, começando por Orson Welles, no papel de Lê Chiffre, Woody Allen como Jimmy Bond, o sobrinho esquisito do espião que é líder da organização SMERSH, Jaqueline Bisset, como agente da SMERSH.


Sellers e Andress, discutindo técnicas de bacará

Destacam-se ainda as presenças de John Houston, Jean-Paul Belmondo, Peter O’Toole e, pela primeira vez, Angélica Houston.


Sir James é capaz de paquerar a própria filha


Moneypenny Jr. testa as habilidades de Cooper, para fingir-se 007

Bem, o melhor do filme são as sátiras, algumas mais explícitas, outras mais escondidas (como as mulheres banhadas a ouro que saem do armário), que são difíceis de relatar em palavras. Deixo alguns destaques do youtube, como o trailer, a cena da luta no castelo, e a seqüência final, hilária.


Agente da SMERSH, sugerindo champanhe para Bond

É bom pra se acompanhar com uma boa dose de uísque.


Le Chiffre, e algumas amigas