Camaradas,
Falando em surrealismo do cotidiado, registrei a prova da minha incapacidade de ler coisas. Ou talvez do meu analfabetismo. Várias vezes incorri no erro de colocar adoçante na batata frita. É simples: as marcas de pozinhos têm, em geral, três tamanhos. Um, mais esticado e maior, destinado a qguardar açucar. Os outros dois, com formatos próximos a um quadrado, menores, guardam adoçante e sal. Mas são embalagens quase do mesmo tamanho e quase das mesmas cores.
Aposto que outros tiveram experiências semelhantes, causadas pelo sarcasmo dos fabricantes de saquinhos que gostam de debochar dos pobres consumidores incautos. (ou pelo excesso de chope).
Por um mundo sem enganação! Pelo fim da exploração do homem pelo homem! Pelo fim da exploração do homem pela mulher! Pela diferenciação clara dos saquinhos de sal e adoçante!
Tendo dito, até!
(Registre-se que a punjante economia fluminense é incapaz de produzir sal. Importa-se da metrópole)
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Cotidiano 2
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Duffman salvará o mundo!

Camaradas,
Na última semana a grande notícia foi que o companheiro Obama chamou a rapaziada para resolver as diferenças numa mesa de bar, montada ali no jardim da casa branca. Obama fez aquilo que nós sábios sempre soubemos: os problemas se resolvem no bar.
Do alto da sabedoria do Monte Logos, onde os sábios se reúnem (na verdade é um bar, mas a referência a uma montanha tem um vasto cunho mitológico que não podemos desperdiçar), percebemos as diferentes formas de noticiar o evento. Nos EUA a questão foi comemorada com festejos populares. Eles agora perceberam que os problemas pequenos e grandes (invadir residências e racismo) podem igualmente ser resolvidos na base do bar. E
Ah, a cerveja: causa e solução de todos os problemas!
Melhor que isso: com uma cervejinha antes do almoço, todo mundo pensa melhor. O problema do presidente anterior é que ele tomava burbon.

Cervejas claras consevam amizades
No Brasil, o caso teve várias versões. Na seriedade paulista do Estadão, comentou-se com certo cinismo a convicção de Obama na capacidade da cerveja resolver a parada. Para os quatrocentões, o certo é tomar cognac francês durante o verão. Vejam por exemplo a perseguição que o referido jornal faz ao gosto do presidente Lula pela bebida nacional...
Aqui no Rio, terras moralmente mais flexíveis, a grande preocupação do jornal do bairro era a marca de cerveja que cada convidado tomou. Evidentemente, o ufanismo aflorou ao registrar que Obama tomou Bud-Light – marca americana cuja globalização tornou belgo-brasileira. Vai Brasil-il! Diria o Galvão.

Desce a penúltima!
Bom mesmo foi o título dos jornais mais populares, aqueles sangrentos que comentam a vida policial, das novelas e das popozudas do momento: “Presidente Negão resolve apartheid tomando cerveja de bixa”.
Tendo dito, até!

Obama é bom de copo

Esse sim é o cara!

Obama e seu amigo Sarkô - que tem uns seis cérebros - prestam atenção na assistente do companheiro Lula
Tags: alcool, Bar, caipirinha, Cerveja, eleições EUA, estadistas, estatização, lula, Obama, poder, poderoso chefão, Sabedoria, sabor
domingo, 21 de junho de 2009
O filé de brontossauro
Camaradas,
O primeiro dia de inverno mostrou-se invariavelmente quente e aprazível na cidade do Rio de Janeiro. Na verdade, são os melhores dias por aqui: pouca chuva, pouca umidade, pouco calor, muito sol. Sábios eram os da corte imperial que passavam de maio a setembro por aqui e o resto do ano lá na serra petropolitana, onde o clima aceita humanos.
Mesmo fora do verão, a vida boêmia jamais perderá seu vigor! Enquanto existirem os otários, existirão os malandros! Enquanto existir o Estado, existirá o funcionário. Enquanto existir o INSS existirá o aposentado. E se tudo continuar assim, existiremos nós: os que gostam de viver.
Fred e sua família, pedindo um filé para viagem!
Há coisas deliciosas guardadas, escondidas nos bairros “que não figuram no mapa” do Rio de Janeiro. Viva o Cachambi. Trata-se de um bairro suburbano, agradável como muitos outros, que acabou ficando distante do centro dinâmico da balneário decadente, cemitério de fortunas. O Rio é um pouco autodestrutivo, percebo.
Na companhia adorável de outros dois sábios, Isaac e Lilith, aventurei-me pelo tempo perdido e conheci o delicioso filé de brontossauro. Uma iguaria que Fred Flinstone deixou como legado para toda a humanidade. Mas a aventura gastronômica foi bastante complexa, então vamos por partes, como diria Jack, o estripador.

Sabor! Muito sabor!
A começar pelo chope. Gelado. Com um belo colarinho. Ao estilo dos melhores servidos lá na capital. Há quem diga que depois do túnel Rebouças já começa a área de influência paulista. Talvez isso seja verdade. O chope era delicioso.
Bolinhos, ah os bolinhos! Na falta dos sugeridos de carne seca, experimentamos os de bacalhau. Nas palavras de Issac “só perdem para os de senhora minha avó”, grande dama da gastronomia portuguesa – vale registrar.
Sim, é isso aí!
Já que estávamos por lá, provamos também os bolinhos de feijoada. Uma inovação feita à base de massa de feijão (não como aquela do acarajé, uma triturada com a casca, preta), e recheada de couve mineira, carnes e outras coisas dessas que vêm numa feijoada. Talvez o melhor bolinho que já comi nessas paragens.
Não suficientemente contentes, provamos também o incrível pastel de camarão. Saboroso, temperado. Camarões grandes. Uma coisa fora dos padrões sulistas acostumados com o básico (e até outrora feliz) pastel do Belmonte. O Cachambi nos apresentou um mundo todo novo. Uma felicidade gastronômica impensável.

O gourmet que seleciona os ingredientes
Enfim, chegamos no motivo da visita: o filé de brontossauro. Uma coisa deliciosa preparada por Seu Pança, um simpático rapaz que fez questão de nos apresentar todos os ingredientes e a técnica de preparação do acepipe. Um tratamento que, de cá do túnel, jamais foi vivenciado. O Cachambi é realmente um lugar da felicidade.
Sabor. Muito sabor. O filé de brontossauro, tecnicamente falando, é o conjunto de carnes e gorduras que envolvem um grande osso. Provavelmente oriundo da costela do extinto animal. É difícil descrever em palavras. Mas a sensação é algo orgástica. Algo transcendental.

Nós, distintos sulistas quase turistas, nos deleitamos com tanta felicidade material. Mais que isso, percebemos no cardápio ainda algumas opções por serem testadas: a palmeira recheada de camarões (algo como um palmito de um metro e meio, aberto com muito recheio); os tais bolinhos de carne seca e, por fim e não por menos; o “enfarto completo”, conjunto de churrascos cujo nome fala por si.
Nossos horizontes foram alargados. O Rio jamais será o mesmo.
Voltaremos!
Tendo dito, até!





