
O melhor vilão de todos os filmes de 007 é Scaramanga (interpretado pelo ator-vilão Christopher Lee), um homem que usa uma peculiar pistola de ouro – que recentemente foi roubada – e é páreo em habilidades e hábitos para James Bond. Exímio atirador, bom vivant completo e amante de belas mulheres, Scaramanga é um matador profissional, contratado para os trabalhos mais delicados. É também um admirador do agente secreto, por considerá-lo um homem muito parecido com si. Além disso, Scaramanga tem um monte de brinquedinhos divertidos, incluindo um carro com asas que voa. 
(Que olhos...)
Sua amante, a bela Andrea Andress, insatisfeita com a frieza do ouro da pistola, percebe que o único homem capaz de matar Scaramanga é Bond e dá um jeito, pouco convincente, de trazê-lo para perto e, com isso, gerar um conflito que poderia salvá-la do amante-vilão. Coincidentemente, Scaramanga está envolvido com o assassinato de um cientista que inventou uma placa de captação de energia solar, o SOLEX, bugiganga que poderia resolver a crise energética que o mundo vivenciava depois do choque do petróleo. Por acaso, Bond (o homem mais sortudo do mundo) estava na hora certa e no lugar certo: resolve sua picuinha pessoal com o matador e ainda soluciona uma missão secreta.
(Essa cansou da pistola de ouro)
A trama se desenvolve nas beiradas chinesas, Macau, Hong Kong e algumas ilhotas. No início dos anos 1970 a China era o país do momento (como é novamente hoje), e estava mudando o cenário político e econômico mundial. A visita de Nixon a Mao acontecerá poucos tempo antes.
(Chew Mea - que nome! - como veio ao mundo)
Falemos da estética daquele tempo. As cores são todas um pouco destoantes, com combinações que passariam por bregas nos dias de hoje. Curiosamente, o estilo das mulheres é bastante próximo ao atual, em termos de maquiagem, cabelos etc.
(charuto, uisque e um magnífico abdômem)
Ah... as mulheres. Andrea Andress é um mulherão, com feições agudas, olhar decidido. Para “conhecê-la”, Bond não hesita em trancar o jantar da noite no armário, pra que esperasse sua vez. O jantar é Mary Goodnight, uma agente secreta tão atrapalhada quanto sua beleza é delicada. Gosto da longa seqüência de ação final que ela veste apenas um biquíni.
(Boa noite, Goodnight. Acho que você chegou em má hora)
(Boa noite, Goodnight. Você fica pra depois)
Além dessas duas principais, Jimmy encontra uma habilidosa dançarina do ventre, enquanto fuma seu charuto (são quatro ao longo do filme) e depois se depara com Chew Mea, vestida de água, na piscina do vilão.
Com esse filme, Roger Moore firma os aspectos da personalidade de Bond, como sua elegânia, desdém, peculiar senso de humor e completo desapego às coisas que não seus prazeres ou sua missão. É o maioral. 
(Olha que pedras bonitas...)
(olha a máquina que controla o SOLEX)
Só pra fechar, a sequência em que Bond dá uma pirueta de carro:



sábado, 18 de outubro de 2008
The Man with the Golden Gun (1974)
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Sobre Chopp

Camaradas,
Sempre defendi que o chopp paulista e o carioca deveriam receber nomes diferentes pois são bebidas diferentes, apesar de ambas muito gostosas.
Eis que o nosso bom Estado brasileiro está tentando agora regular o chopp. Uma decisão de um juiz catarinense (não consigo me recordar do chopp de SC, apesar de lembrar que ele fica muito bom combinado com camarões, na lagoa da conceição) afirma que o o colarinho faz sim parte do chopp e, portanto, podemos concluir que essa forma - paulista - é a considerada oficial.
leia a noticia aqui
Muita experiência com chopp, e com intervenção estatal, me permite afirmar que a liberdade é fundamental e geradora de prazer. Deixe todos serem felizes e tomarem o chopp que quiserem. Live and let die!
Tendo dito, até!
Tags: chopp, estatização, liberdade
Live and Let Die (1973)

Fanfarrão. Isso é o que Roger Moore é: o maior fanfarrão de todos os James Bond. Em outro momento já expressei minha predileção por esse ator (finalmente um inglês) que além da elegância peculiar consegue dar ao personagem um aspecto único de desdém.
Tudo para ele é fácil e simples. Mesmo que pra isso precise contar com a sorte. Ele é alto, esguio e não consegue fazer cenas de ação sem beirar o patético. É engraçado.
Moore está nesse filme apenas iniciando sua longa carreira como Jimmy. Ainda não está totalmente à vontade com o personagem, ainda precisa se referenciar em seus antecessores enquanto começa a construir sua própria versão: o cafajeste incorrigível.
(Jane Saymor, a Solitaire taróloga)
Bond demora os primeiros quarenta minutos do filme pra conhecer três namoradas. A primeira uma espiã italiana. A segunda, uma agente da CIA, que na verdade trabalha pro vilão. A terceira, uma taróloga. É com essa que ele passa o resto do filme e, finalmente, pode se dedicar a coisas de segunda importância como salvar o mundo. 
Destaque para o fato de que nesse filme Jimmy não pede Martini, preferindo Uísque nas duas oportunidades que tem. Além disso, não hesita em fumar longos charutos, com a expressão de um homem que sabe que o mundo pode esperá-lo. 
(Rosie, a agente dupla)
Os brinquedinhos não desempenham papel central, mas aparecem. Principalmente o relógio magnético que serve para atrair objetos metálicos e abrir zíper de vestidos femininos. O que marca mesmo é a nova postura de James Bond perante o mundo.
Pela primeira vez, nesse filme a cena inicial do agente atirando contra o revólver (e depois a tela fica sangrando) está sem chapéu. Enfim nenhuma referência mais ao chapéu. Os costumes são outros. Os anos 1970 apontam para uma era de novidades, de mudanças.
(A agente italiana...)
A primeira coisa é a liberdade sexual, que leva a canalhice de Bond ao limite. Em segundo lugar, a reviravolta no equilíbrio mundial, com o fim dos sistemas criados pós-guerra, em especial o padrão dólar-ouro. O equilíbrio político também passa a ser abalado. A guerra fria toma proporções novas com o Vietnam. Agentes não-estatais começam a ter importância nas relações internacionais, como a OPEP e organizações terroristas ou mesmo articuladas com o crime organizado e tráfico de drogas. Tudo isso marca o universo do novo Bond, de Roger Moore.
Aliás, deve-se comentar também a aparição da casa de 007, muito bem arrumada e espaçosa. Com uma ampla e equipada cozinha que inclui uma sofisticada máquina de café. Moore cria um Bond que é, além de tudo, exímio cozinheiro. Faz um belo café expresso, com creme e tudo. Num outro filme (a ser comentado no futuro) chega a cozinhar uma quiche!
Registrado todo meu deleite em ver Moore, cabe também comentar que em 1973 os EUA viviam a febre do movimento negro, e a cultura negra estava ganhando rapidamente e com força espaço. A estética, então, segue os cabelos Black-power, bem como a música e cenários em New Orleans. Entretanto, os negros no filme são todos vilões, ou traidora no caso da agente da CIA. Com exceção de Quarrel Jr., que é fiel amigo de Bond, cujo pai já havia aparecido em Dr. No.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Diamonds are Forever (1971)

Quando eu era mais jovem, e menos sábio, gostava desse filme. Não sei por quê. Ao assistir novamente ontem percebi que talvez seja um dos menos interessantes da série. Bem, depois da tentativa de substituição com Lazenby, Sean Connery volta a viver James Bond nesse filme, mas ele já está cansado. Cansado do próprio personagem e já não o leva mais a sério. Ao mesmo tempo, Connery faz uma versão mais madura e menos passional do personagem. Acho que é por isso que me incomoda.
(Brinquedo de criança crescida)
A dupla de vilões-viados Mr. Wint e Mr. Kidd é bem irritante. Não chegam a ser maus, não são geniais nem suficientemente engraçados. Acho desnecessário. Há também outros motivos que decepcionam. Os brinquedinhos, apesar de úteis, não são tão fantasiosos: uma impressão digital falsa aqui, um revólver pra lançar ganchos de alpinismo lá... um bonito Mustang vermelho, mas sem opcionais. 
(Hidroginástica)
Brinquedinhos mesmo têm o Blofeld, que faz cópias de si mesmo em outras pessoas por cirurgia plástica, e cria um satélite de diamantes capaz de focalizar energia e explodir qualquer coisa na Terra (tema que será retomado pelo vilão no Die Another Day). Além disso, Blofeld tem um buggy lunar, daqueles que impressionaram o mundo nos primeiros anos da década de 1970 devido à conquista da Lua e à transmissão ao vivo e a cores para as TVs de todo o mundo. Jimmy, evidentemente, faz uma bonita cena de fuga usando esse equipamento no deserto americano. 
Las Vegas é o principal cenário desse filme. É uma cidade em constante transformação e acho muito curioso ver outros filmes mais recentes que se passam lá e comparar com esse: há poucos prédios altos em 1971. A maioria das construções é bastante horizontal e as luzes são completamente aleatórias. Uma lei “cidade-limpa” faria bem, nesse caso. A extravagância já estava lá. Faltava só o tempo pra construir pirâmides, torre Eiffel e outras atrocidades...
(A bela e honesta Plenty ajuda nos dados)
É no cassino que Bond conhece Plenty O’Toole (divino nome, divino decote), uma moça totalmente honesta que se aproxima dele ao ouvir as cifras de seu jogo. Por ajudá-lo a lançar os dados, recebe cinco mil dólares de gorjeta (valor bem gorducho para a o período dos últimos suspiros de Bretton Woods). Em troca, vai direto para o quarto de 007. Tristemente, a moça é defenestrada (literalmente) e James acaba a noite com Tiffany Case (outro nome curioso).
(Tiffany é interessante, mas não cativa)
Plenty, vivida pela linda Lana Wood, é muito mais atraente que Tiffany (Jill St. John), mas é com essa última que Bond se enrosca no filme. Talvez por ser um recém viúvo amargurado, nesse filme Jimmy só contabiliza uma namorada, apesar de cruzar com tantas outras moças interessantes pelo caminho. A honesta Plenty é a melhor delas. Logo no início do filme James arranca o sutiã de uma outra moça simpática – anônima – para com isso conseguir informações, mas não há registro se a conversa seguiu sua trajetória natural. Posteriormente, Bond é recebido por uma dupla de acrobatas que lhe proporcionam atividades violentas, mas cuja energia é apagada ao serem jogadas na piscina.
(assim fica fácil conseguir informação)
Bem, já falei demais de um filme que não me atrai tanto. Gostaria apenas de registrar uma curiosidade sobre o enredo. James Bond acaba salvando o mundo de um plano maligno de Blofeld, mas sua missão original não era essa. Ele acaba descobrindo essa trama por acaso, ao pesquisar sobre tráfico ilegal de diamantes. E aí a coisa é curiosa: o serviço secreto britânico teria sido orientado por uma grande empresa de diamantes para investigar o tráfico ilegal pois estaria receosa de ter problemas comerciais! Isso em tempos que se discutia e protestava abertamente sobre a questão dos diamantes africanos e os conflitos sociais e políticos daquele continente por esse motivo...
sábado, 11 de outubro de 2008
On Her Majesty Secret Service (1969)

Antes de tudo, vale o registro que considero horrendo o smoking que James Bond usa nesse filme, cheio de “plumas”. Quase uma coisa do século XVIII. É a vestimenta que inspirou a paródia de Mike Myers em Austin Powers. Ridícula. Como é também toda a combinação de cores dos cenários internos, marca dispensável do libertário fim dos anos 1960.
George Lazemby, grande homem. Grande Bond. Teve a tarefa árdua e infeliz de substituir Sean Connery. E o fez com estilo. É elegante, é mais britânico que o escocês que imortalizou o personagem, apesar de ser ele mesmo oriundo da colônia Austrália. Suas cenas de ação são ainda mais convincentes do que seu antecessor. A canalhice com as mulheres é ainda mais agressiva. O novo Bond já começa o filme dizendo algo como “isso nunca aconteceu com o outro camarada” em resposta à fuga da mocinha que o evita.
Eu sou do seleto time que gosta de Lazemby. Não diria que ele é melhor que Sean Connery, mas é um bom substituto no sentido de que todo homem envelhece, enquanto o personagem segue vivendo e precisa ser renovado. Fuma, bebe, joga o chapéu ao chegar no escritório, chega até a vesti-lo quando disfarçado. E fica realmente engraçado vestindo um quilte.
Talvez o grande motivo de insucesso de George Lazemby não seja sua atuação, mas o enredo do filme que encena. Bond se casa. Mas se casa com a mocinha mais difícil. Um tipo de patricinha revoltada. Filha de um vilão que propõe a Bond um “dote” de um milhão de libras para o casamento. Jimmy, que não faz o tipo gigolô recusa. Mas em troca de informação sobre outro vilão – o clássico Blofeld – aceita o desafio de conquistar o coração da moça. No fim, se apaixona de verdade.
Aliás, a moça antes disso já tinha arriscado uma posição “honesta”, ao retribuir a ajuda de Bond (que salvou sua vida e também pagou vinte mil francos pra ela no cassino) com uma noite de amor. Antes que seu caráter de mulher da vida ficasse confirmado, Bond acorda com os tais vinte mil francos no criado mudo. Tracy Bond, a linda Diana Riggs, faz o tipo mulher independente da era da libertação sexual. Ela bate, atira, pensa. 
É interessante como grandes homens só se deixam levar por mulheres difíceis, problemáticas. Verdadeiros desafios. É quase uma regra. No caso de Jimmy, evidentemente, o personagem precisa seguir e, por isso, a moça morre. Um final trágico e belo. Único dentre todos os filmes da série (mesmo o recente Cassino Royale, no qual Bond se apaixona de verdade, a conclusão do filme não é tão emocional).
Mas gostaria de dizer um pouco mais sobre como George Lazemby lida com as mulheres, que é afinal o que mais gosto nele (descobri alguns sites interessantes com as fotos das bondgirls, cique aqui e aqui). Exemplo disso é a fungada que dá no pescoço de Miss. Moneypenny. Coisa que Connery nunca se arriscou. Ao chegar na clínica dos Alpes, ele encontra um monte de moças simpáticas e vai conhecendo uma a uma, com a mesma paquera! É simplesmente impressionante... 
Registro ainda a deliciosa trilha sonora de Louis Armstrong, que embala as cenas de namorico de Jimmy e Tracy. (clique aqui para ouvir e ver a cena, precedida pela cena do casamento).
A tecnologia é interessante. Apesar de não contar com muitos brinquedinhos, Bond tem um Aston Martin é de um modelo daquele ano. Para decifrar a senha do cofre, ele usa um aparelho do tamanho de uma mala, sendo que no filme anterior bastava algo do tamanho de um celular. Felizmente a maquina serve de Xerox também, uma invenção que apenas naquele tempo estava se popularizando (clique aqui para ler a interessante história da Xerox).
Viva Bond apaixonado. Viva a primavera!
Tags: 007, amor, James Bond, primavera
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
You Only Live Twice (1967)

Eu não tenho nenhuma atração especial pelo mundo oriental. Mas Jimmy experimenta pelo menos três belas moças daquela parte do mundo durante esse filme – sem contar a cena do banho, na qual ele é “tratado” por mais algumas. Não bastasse, ainda há um flerte com a number eleven da SPECTRE. Hoje não quero falar sobre essas lindas mulheres, deixarei apenas umas fotos delas pelo post.
O que é mais legal nesse filme é a questão política-histórica do momento. Trata-se de uma conspiração internacional, na qual a SPECTRE seqüestra espaçonaves americana e soviética, precisa ser desvendada para evitar uma terceira guerra mundial. Uma tarefa que só 007 pode resolver. No meio da guerra fria, outros atores aparecem na cena: o Japão e a China.
O Japão era o país queridinho-ameaça do momento. Estavam todos deslumbrados com o crescimento econômico daquele país, com o domínio tecnológico e com as curiosidades culturais. Até o Bond-car é um Toyota conversível! Tudo isso aparece no filme, seja mostrando ruas de Tokyo, luta de sumo, banho com muitas gueixas, ninjas... até a bebida de James Bond é substituída por sakê.
É o poder tecnológico e econômico que viabiliza que um grande empresário japonês, filiado a SPECTRE, monte um foguete pra seqüestrar naves das duas superpotências. Sua base fica dentro de um vulcão! E ainda tem um grande exército de paramilitares que operam os instrumentos e tal. É impressionante.
Mas os vilões não são os japoneses. Esses apenas têm potencial para sê-lo, quando na verdade são aliados do mundo livre: o serviço secreto japonês ajuda Jimmy e ainda fornece algumas namoradas. Além disso, para selar a amizade nipo-ocidental, Sean Connery passa por uma cirurgia plástica para se parecer japonês. É sensacional.
Os vilões mesmo são os chineses, que contratam a SPECTRE para fazer essa lambança na diplomacia internacional. É bom lembrar que nesse período a China estava com relações bastante tensas, tanto com o ocidente capitalista quanto com a União Soviética. A coisa só foi resolvida com a aproximação de Nixon, nos anos 1970, que colocou a China alinhada com interesses americanos. Um sucesso cujos resultados são visíveis hoje em dia.
Tags: 007, James Bond





