quarta-feira, 9 de abril de 2008

Reflexões teológicas


A vida cotidiana nos ensina coisas que a academia e o estudo formal são incapazes de formalizar. A observação das pequenas coisas é a chave para o entendimento da verdadeira ordem universal. Sim, o caos existe apenas no plano tangível. Há uma ordem superior que harmoniza todas as coisas e garante a continuação da existência.

Alguns (talvez a maioria das pessoas, na verdade) chamam essa ordem de Deus, ou algo similar que arbitrariamente teria construído toda a existência, o universo, os planetas, as coisas, a vida. E, zelando pela continuação da existência, criou um ser à sua imagem e semelhança que dominaria a Terra e as demais criaturas.

Estou falando, evidentemente, das baratas.

Sim, as baratas são as escolhidas. As predestinadas. O objetivo final da evolução. Isso nem sempre é claro para nós humanos, umbigocentrados e orgulhosos de sabermos que sabemos. Nós, sábios que escrevemos nesse blog, sabemos que não sabemos e tentamos espalhar a luz aos demais. Pois lá vai. Façamos o raciocínio lógico-dedutivo:

1) o objetivo da existência é continuar existindo;

2) a ordem superior, por vontade própria, garante o sucesso de sua espécie escolhida, de seu filho pródigo;

3) as baratas existem tal como são hoje há mais de 200 milhões de anos e são biologicamente preparadas para continuarem existindo pelos próximos 200 milhões, haja o que houver, aconteça o que acontecer.

É muito simples! A vontade superior, ao mexer os pauzinhos em favor dos seus favoritos, é a própria evolução: o ente selecionador!

Depois que esse pensamento se completou, tudo a minha volta ficou claro. A própria existência humana é uma maneira inteligente de garantir a continuidade da existência das baratas, através do nosso lixo doméstico e outras melecas que produzimos. Antes de nós, porém, as baratas existiam felizes com outras fontes de alimento e assim será depois de nós. Está tudo no Grande Plano.

A barata é a criatura favorita do reino dos céus! Felizmente, para consolo dos humanos, a barata é mentirosa e vai dar com os burros na água:

A barata diz que tem sete saias de filó.
É mentira da barata ela tem é uma só.
Ha! Ha! Ho-Ho-Ho!
Ela tem é uma só!
A barata diz que tem um anel de formatura.
É mentira da barata ela tem é casca dura.
Ha! Ha! Ho-Ho-Ho!
Ela tem é casca dura!
A barata diz que tem uma cama de marfim.
É mentira da barata ela dorme é no capim.
Ha! Ha! Ho-Ho-Ho!
Ela dorme é no capim!
A barata diz que tem um sapato de fivela.
É mentira da barata o sapato é da mãe dela.
Ha! Ha! Ho-Ho-Ho!
O sapato é da mãe dela!
A barata diz que tem o cabelo cacheado.
É mentira da barata ela tem coco raspado.
Ha! Ha! Ho-Ho-Ho!
Ela tem coco raspado!

domingo, 6 de abril de 2008

OS Dez Mais - categoria latinoamericanos

Camaradas,

Na companhia do grande sábio André Ricardo, pensador, poeta e flanelinha, listamos seletamente as dez maiores personalidades latinoamericanas desde tempos imemoriais. Evidentemente, escolher apenas dez é difícil. Por esse motivo, a lista apresenta onze nomes indispensáveis.

1 - Diego Maradona
2 - Simon Bolivar
3 - Pablo Escobar
4 - Gabriel Garcia Marques
5 - Romário
6 - Ernesto Che Guevara
7 - Fidel Castro
8 - Virgulino Ferreira Lampião
9 - Carlos Gardel
10 - Diego Rivera
11 - João Ramalho

segunda-feira, 24 de março de 2008

Novas lições cariocas

Camaradas,


Depois de um longo período de férias, este sábio que vos escreve retorna com um pouco mais de sabedoria. O tema de hoje é o Rio e suas pequenas curiosidades irritantes. Sou e sempre serei um entusiasta dessa cidade onde o calor engrossa o sangue e impede as funções motoras e intelectuais. É um lugar para sentar e tomar chopp, que aliás deveria receber um nome diferente por aqui para não ser confundido com aquele que se toma em São Paulo. São coisas evidentemente diferentes e incomparáveis. Dar-lhes o mesmo nome só gera confusões desnecessárias entre os povos.

Alguns pequenos detalhes passam desapercebidos pelos turistas de primeira viagem, mas para um migrante que retorna à cidade maravilhosa, tais coisas causam impacto de imediato. O primeiro deles, para quem chega pela via Dutra, é o curioso outdoor tentando vender terrenos num adorável bairro da baixada: “Ainda é bom comprar em Vilar dos Teles”, complementada por uma faixa “Para revender”. Com isso, imagino que deve ser um mico ficar com qualquer propriedade por lá...

Outras pequenas aventuras acontecem com os visitantes á vacinados, que sabem que nessa cidade toda regra é feita para ser burlada de alguma forma. Já escrevi antes nesse blog que o Rio é a cidade do malandro. E a malandragem é um conceito dialético: a existência do malandro depende da existência do otário, e vice-versa. Todas as relações humanas, portanto, incluem a tentativa mútua entre as partes em fazer o outro de otário, para conseguirem se auto-proclamarem malandros.

Muito bem, a disputa não acontece apenas entre os civis, mas também entre os cidadãos e o Estado. A todo tempo. Minha penúltima aventura foi estacionar numa tranqüila rua, sem nenhuma espécie de sinalização indicando restrição ao estacionamento. Para minha surpresa, no dia seguinte meu possante com placa paulistana estava em outra esquina, parado em fila dupla. Os feirantes levantaram-no e o trocaram de posição para que a feira pudesse acontecer sem problemas. Ao havia, curiosamente, nenhuma marca de depredação ou multa no carro. Foi uma transposição civilizada. Daí a lição número 1: pergunte aos locais se você pode largar seu carro na rua. A sinalização nunca é suficiente.

Dois dias depois, a última aventura, devida inteiramente à minha completa incapacidade de compreender lições da vida. Incorrer em erro é normal. Repetir é estupidez. O calor engrossa o sangue, e me faz bem estúpido. Numa outra esquina, também sem sinalização larguei meu carro. Hoje, passando por lá não o vi. O fenômeno da transposição se repetiu, mas dessa vez liderado por funcionários do Estado (sete-Rio, com se diz por aqui) que o levaram para algum lugar quase tão distante quanto Vilar dos Teles. Daí a lição número 2: pergunte aos locais se você pode largar seu carro na rua. A sinalização nunca é suficiente.

Se eu consegui importar de volta meu carro, prometo que aprenderei as duas lições.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Sábios Ébrios

Camaradas,
Hoje eu estendo a sabedoria de sábios de outras paragens a todos nossos leitores. Deixo-os com suas próprias palavras:












O Ébrio (Vicente Celestino)

(veja excelente cena com essa canção em http://milvinil.multiply.com/video/item/29)

Tornei-me um ébrio e na bebida busco esquecer
Aquela ingrata que eu amava e que me abandonou
Apedrejado pelas ruas vivo a sofrer
Não tenho lar e nem parentes, tudo terminou
Só nas tabernas é que encontro meu abrigo
Cada colega de infortúnio é um grande amigo
Que embora tenham como eu seus sofrimentos
Me aconselham e aliviam os meus tormentos
Já fui feliz e recebido com nobreza até
Nadava em ouro e tinha alcova de cetim
E a cada passo um grande amigo que depunha fé
E nos parentes... confiava, sim!
E hoje ao ver-me na miséria tudo vejo então
O falso lar que amava e que a chorar deixei
Cada parente, cada amigo, era um ladrão
Me abandonaram e roubaram o que amei
Falsos amigos, eu vos peço, imploro a chorar
Quando eu morrer, à minha campa nenhuma inscrição
Deixai que os vermes pouco a pouco venham terminar
Este ébrio triste e este triste coração
Quero somente que na campa em que eu repousar
Os ébrios loucos como eu venham depositar
Os seus segredos ao meu derradeiro abrigo
E suas lágrimas de dor ao peito amigo

------------------------------------------------------------------

Hoje na Folha saiu entrevista de Laura Mattos com outro ébrio: (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2202200818.htm)

FOLHA - Como será seu novo disco?
ZECA PAGODINHO - Ué, de samba.

FOLHA - Isso eu já imaginava...
PAGODINHO -
É o que faço sempre, com Zé Roberto, Arlindo, Almir Guineto, Monarco...

FOLHA - Você compôs algo?
PAGODINHO -
Deixo com a rapaziada, porque é uma caderneta de poupancinha pra eles. Tem um pessoal que tá lá atrás, precisando arrumar um qualquer.

FOLHA - Você fez 49 anos agora. Com se sente quase cinqüentão?
PAGODINHO -
Tem muita gente que eu conheci que não conseguiu chegar nem a 30 porque ficou doente, mataram, sumiu.

FOLHA - O que acha do Zé da Feira [Eri Johnson], o sambista de "Duas Caras" inspirado em você?
PAGODINHO
-
As dificuldades de subir na carreira têm a ver comigo. É um cara que lutou, teve dificuldades, o vício da bebida, conheci várias pessoas assim.

FOLHA - O fato de ele ser alcoólatra não incomoda?
PAGODINHO -
Mas eu não sou alcoólatra, não ando caído de bobeira na rua. Ele é inspirado, porra, não é o Zeca Pagodinho.

FOLHA - A cerveja não atrapalha a sua vida em nenhum momento?
PAGODINHO -
Minha vida é que atrapalha a minha cerveja. Quando tô bebendo, tem sempre alguém pra falar comigo.

FOLHA - Você se irrita por sempre ser procurado para falar de cerveja?
PAGODINHO -
Não, isso é porque tô no auge. Se tivesse lá embaixo, ninguém lembrava de mim.

FOLHA - O que pensa sobre o projeto de tornar crime dirigir após tomar mais de duas latas de cerveja?
PAGODINHO -
É certo. Fizemos o bloco da Cachaça; a letra do samba dizia que "volante com cachaça não combina, sou um cachaça, mas não sou burro". Fiz um outdoor "Se beber, vá de táxi". Já tão achando que levei uma nota dos táxis, do Detran, não levei porra nenhuma, levei sim uma luta pela vida.

FOLHA - Você dirige após beber?
PAGODINHO -
Não, nem antes.

FOLHA - Você não dirige?
PAGODINHO -
É porque tô renovando minha carteira, nunca dá, e pra não ficar me aporrinhando vou andando a pé, tem motorista, entro em qualquer carro, "me deixa ali cumpade".

FOLHA - Continua irritado com o ministro da Saúde [que propôs que artistas não anunciassem bebida]?
PAGODINHO -
Não, não é um cara de bobeira não, sabe o que faz. Mas tem que ter um projeto mais de educação do que punição. Aí vai prender, e qualquer dia essa porra vai virar só grade.

FOLHA - E a reclamação dos gays que não gostaram da tradução de "happy hour" para "hora alegre" em seu comercial da Brahma?
PAGODINHO -
Falei pros caras que ia dar problema, mas eles mandam. Não tinha a intenção de ofender. Eu me dou bem com todo mundo, tem uma porrada de veado que vem aqui em casa, cada um na sua, eles pra lá, eu pra cá. Quem quer dar dá, quem quer comer come, cada um viva a sua vida.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Fidel Desistiu


Camaradas,

Interrompo a bela e relevante seqüência de posts dedicados às mulheres para tratar de um assunto de extrema relevância: Fidel anunciou que não será candidato ao cargo de Presidente do Conselho de Estado, cargo que ele ocupou desde 1976, quando a atual constituição cubana passou a vigorar.

Fidel desistiu. A vida humana é mais curta que a vida das idéias, do que o tempo histórico de um povo e um país. Mas ele lutou bravamente por toda sua longeva vida, inspirou ideais e força para pelo menos três ou quatro gerações.

Mas esse não é um epitáfio. Fidel ainda está vivo. A nova configuração em Cuba já estava sendo desenhada desde, pelo menos, o anúncio de sua doença. Sai do comando mas continua como farol que ilumina os caminhos da ilha! Fidel vive e ainda viverá para orientar o povo cubano e os revolucionários de todo mundo. Humildemente, sua coluna semanal no Granma mudará de nome, de “Reflexiones del Comandante en Jefe” para “Reflexiones del Camarada Fidel”.

Longa vida a Fidel! Longa vida a Cuba revolucionária!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

As mulheres e as pérolas

Sobre a elevada discussão acerca das mulheres iniciada por meu sábio amigo León, inicialmente vou apenas transcrever um diálogo que tive com um dos meus discípulos há algumas décadas...

DISCÍPULO: Sábio Mestre, poderia ensinar-me a diferença entre a pérola e a mulher?

EU: A diferença, humilde gafanhoto, é que numa pérola pode-se enfiar por dois lados, enquanto numa mulher, somente por um lado.

DISCÍPULO (um tanto confuso): Mas Mestre, longe de mim contradizer vossa infindável sabedoria, mas ouvi dizer que certas mulheres permitem ser enfiadas pelos dois lados...

EU (com um sorriso): Neste caso, curioso gafanhoto, não se trata de uma mulher, mas sim de uma pérola!

Mediteis...