Camaradas,
De quando em quando minha sabedoria fica menos racional e mais passional. O tango é a coisa mais sensual que nossos hermanos do sul inventaram. Enquanto as letras são de uma simplicidade humilde e profunda, como nosso samba, a dança é sublime.
Selecionei aqui algumas demonstrações. Primeiro o filme "Tango", de Carlos Saura.
Mas temos também a clássica cena do Al Pacino cego (eu prefiro o filme anterior, com o Vitorio Gasman, mas essa censa do tango, junto com a da Ferrari fazem a nova versão valer a pena). Coloquei aqui a versão longa, desde o comecinho, que inclui o chaveco sensacional.
Para terminar, uma sequência com muitas, muitas mesmo, Monicas Beluccis...
Tendo dito, até!
domingo, 22 de março de 2009
Tango
sábado, 21 de março de 2009
O poder dos sábios
Caros,
É cada vez mais impressionante e inegável o poder que nós, os sábios, exercemos sobre as mentes de todos os habitantes do planeta. Mesmo quando acreditamos que nossa esfera de influência pode ser relativamente pequena, vem a realidade e nos desmente categoricamente.
O exemplo mais recente e retumbante se deu na Fórmula 1. Sim. No início desta semana, mais precisamente na terça-feira dia 17/03, a Federação Internacional de Automobilismo alardeou e assustou os quatro cantos afirmando que o campeão mundial de 2009 seria aquele que somasse o maior número de vitórias na temporada, independente de qualquer outra coisa. Colocações abaixo serviriam apenas como critério de desempate em caso de igualdade no número de vitórias.
Seguiu-se então uma enxurrada de comentários e análises de pretensos sábios, a maioria preocupada em desqualificar as aberrações do novo critério. Nada incomodou minimamente a FIA, que continuava garantindo as novas regras...
Até que na quinta-feira, 19/03, o Palavra dos Sábios publicou uma idéia genial de nosso colaborador Daniel Market, um feixe de luz que iluminaria todo o futuro do automobilismo mundial, estabelecendo que as regras dos campeonatos de F1 fossem definidas não antes mas sim depois de finalizada a temporada, quando uma urna seria desenterrada e, dentre algumas dezenas de regras guardadas dentro dela, uma seria sorteada e aplicada retroativamente às corridas disputadas naquela temporada, definindo o campeão.
Genial! E como toda idéia genial, esta ganhou o mundo em poucos instantes e não agradou às instâncias mandatárias, preocupadas com tão arrojada proposta. Muitos se movimentaram, os bastidores do mundo automotivo ficaram em polvorosa entre a tarde de 19/03 e a manhã de 20/03, todos em busca de uma forma de calar as vozes que se levantavam e ameaçavam de maneira concreta tomar o poder e passar a reger a mais prestigiada categoria do automobilismo mundial.
Peixes mortos embrulhados em papel de jornal foram enviados aos quatro cantos do globo; cabeças de cavalo foram fazer companhia a um sem número de suspeitos pela idéia brilhante. Muita coisa aconteceu nessas horas, até que a FIA encontrou a solução! Inspirada no semi-sábio Giuseppe Tomasi di Lampedusa, decidiram que o melhor a fazer seria "mudar para ficar tudo como está".
Na sexta-feira, 21/03, a FIA, sem motivações aparentes, desistiu das novas regras e resolveu manter tudo como dantes no reino dos errantes. Satisfeitos por terem se livrado do esdrúxulo sistema baseado unicamente nas vitórias, os automobilistas ficaram felizes e satisfeitos com o comunicado, que retornou a um sistema de pontuação um pouco (mas bem pouquinho mesmo) melhor do que o "win or wall"...
E a genialidade que mudaria a história foi, mais uma vez, deixada de lado... Mais uma vez o medo venceu a esperança. Triste a humanidade.
sexta-feira, 20 de março de 2009
F1 e outros esportes

Camaradas, em especial Brutus,
É fato que a Fórmula 1 não pode ficar mudando as regras desse jeito arbitrário. É louvável a vontade de estimular a competição e a concorrência schumpeteriana, forçando o pessoal a tentar ultrapassar para ganhar a corrida. Não bastaria apenas mudar o sistema de pontuação. Mesmo nos tempos da pontuação 10-6-4-3-2-1 aconteceram campeões com menos vitórias que seus concorrentes.
Tradição é tradição, apesar de nem sempre ser dotada de plena sabedoria. Eu, pelo contrário, sou a favor da experimentação, ainda que com path dependence. Que venha o quadro de medalhas! E que as olimpíadas mudem de sistema, pontuando as medalhas para que os EUA possam voltar a ganhar!
Aproveitando que o assunto é esporte, gostaria de lembrar que esporte mata (leia o que já dissemos sobre isso aqui). Não há nada mais perigoso – dentro da lei e dos bons costumes – que praticar esporte. Já dizia nosso velho ídolo Dorival Caymmi. É com grande pesar que alardeio a notícia de hoje “Menina de 13 anos morre após aula de educação física no RS”.
Cuidado!
É por isso que passarei o final de semana estirado em uma rede.
Tendo dito, até!
Tags: Bar, Dorival Caymmi, esporte, exercícios, Fórmula 1, schumacher, uísque
quinta-feira, 19 de março de 2009
Fórmula 1 e Democracia
Caros, como todo bom sábio, sou um homem democrático... sigo a democracia, pois é a única forma de relação de poder entre as pessoas em que os comandados continuam comandados e ainda te agradecem por isso.
E sendo democrático, abro este espaço para opiniões e contribuições sábias de pessoas também sábias que engrandecem a sabedoria coletiva. O primeiro a ter essa honra é Daniel "Market", de Brasília/DF (o lugar da democracia!), que elaborou a mais sábia análise até agora feita sobre o esdruxulamente novo regulamento da Fórmula 1, em que um cara pode ganhar 3 corridas, enfiar o carro no muro em todas as outras e ainda sair campeão (vivo ou morto, depois de tantos acidentes...)
Café com Bobagem
Por Daniel "Market"
Brasília, DF
Recentemente vi na Folha uma reportagem que associava alucinação ao consumo de café. Esse negócio deve ser verdade... Max Mosley e Bernie Ecclestone devem beber litros e litros por dia. Essa nova regra de definição do piloto campeão da Fórmula 1 consegue ser mais boçal que a regra que em 2005 proibia a troca de pneus.
Eu também gosto de café. Já que a idéia é aumentar a emoção das corridas, por que não se adota então a seguinte regra: os caras correm as 17 etapas sem um regulamento de apuração do campeão definido. No entanto, antes de começar a temporada enterra-se uma urna com umas 30 ou 40 regras diferentes. Encerrada a última etapa, o troço é desenterrado e sorteia-se uma regra. O critério é aplicado retroativamente e define-se o vencedor do ano. A cerimônia de sorteio seria tão badalada quanto o sorteio para os grupos da Copa do Mundo.
Vencer ou ser regular? Quem é que sabe? As corridas seriam “puras”, “justas” e outros tantos adjetivos bonitos.
Brincadeiras à parte, infelizmente a regra anunciada essa semana é mais uma que desde 1997 contribui para a descaracterização da categoria.
Obrigado pelo espaço.
***
Gratos ficamos todos nós por tamanha sabedoria, Dani Boy. Vamos fazer isso chegar ao Berna e posso garantir que o sistema revolucionário será adotado. Marcará uma nova Era!
Saudações!
quarta-feira, 11 de março de 2009
São Paulo: a locomotiva
Caros sábios,
No meio deste carnaval, em um dos blocos em Santa Teresa, fui impressionado com uma cena. Sim, no meio da massa saltava um grito dissonante. Era um grupo de cinco ou seis paulistas que, animados, cantavam grandes temas como:
- Trinta..e Dooois! Café! Trinta e Dois, Café!
- Cons-ti-tu-cionalistaaaaaaaaaa é!
e claro, não poderia faltar:
- Ei, Vagas, vai tomar no **....
Prontamente, me emocionei. Sim, porque o carnaval, esta festa inventada em São Paulo, soube reconhecer o papel do majestoso Estado do café como a grande locomotiva do país. Não à toa a única industrialização verdadeira e espontânea brotou no solo vermelho do grandioso Estado. É lá que o Mercado (e o padrão ouro) funciona, as lojas e serviços funcionam 24 horas por dia, o antendimento é sorridente e prestativo. Sim, como teria sido um país melhor não fosse o golpe e a ditadura.
Em homenagem ao grande Estado do café, segue uma fotografia de sua capital, símbolo de um Brasil de progresso:
terça-feira, 10 de março de 2009
Vaticano e cuecas sujas
Sábios e sábias,
Depois de décadas de estudos, livros de Simone de Beauvoir, debates, soutiens queimados e luta, o vaticano publicou o que é o estado da arte do pensamento feminista. O jornal do país de Jesus Cristo publicou neste domingo, em homenagem ao dia mundial das mulheres, uma reportagem com o título: "A máquin
a de lavar e a emancipação da mulher: coloque o sabão, feche a tampa e relaxe".
É sem medo que a jornalista, autora do texto, escreve para o mundo: "No século XX, o que teve mais influência na emancipação das mulheres ocidentais?"..."O debate segue aberto. Alguns dizem que foi a pílula, outros, a liberalização do aborto, ou mesmo trabalhar fora de casa. No entanto, outros vão mais longe: a máquina de lavar roupa"
Para mostrar a força do texto, chega-se a poderosa conclusão: "mística sublime de poder trocar os lençóis duas vezes por semana ao invés de uma". É claro que não podia faltar a perspectiva histórica para encerrar o argumento: "A princípio, as máquinas eram muito volumosas. Rapidamente, no entanto, a tecnologia criou modelos mais estáveis, leves e eficazes, criando a imagem da superdona-de-casa, sorridente, maquiada e radiante entre os eletrodomésticos de sua casa"





